Bons tempos! Não havia automóvel, nem aeroplano, essas máquinas exóticas que não se harmonizam com a índole pacífica do nosso povo, mas, em compensação, existia fé nos corações.
Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de S. João.
Naqueles tempos, essas cidades eram prósperas; mas, atualmente, têm, para demonstrar a sua irremediável decadência, o fato de não se ter notícia de haver sido construída em quaisquer delas, de quarenta anos a esta parte, uma única casa.