Antes de eu conhecer a mocinha dos cabelos de fogo, ela me aparecia dividida numa grande quantidade de pedaços de mulher, e às vezes os pedaços não se combinavam bem, davam-me a impressão de que a vizinha estava desconjuntada.
Apertei as pálpebras. A poça de água, os canteiros mofinos, o monte de lixo sumiram-se. O que eu via bem eram os quartos brancos de Marina curvada, as coxas brancas.
Em vários tempos e lugares, a Loucura foi considerada sagrada, e deve haver razão nisso no sentimento que se apodera de nós quando, ao vermos um louco desarrazoar, pensamos logo que já não é ele quem fala, é alguém que vê por ele, interpreta as coisas por ele, está atrás dele, invisível!...