A comparação é uma armadilha porque parece razoável. Parece que olhar para fora é uma forma de calibrar o que é normal. Mas ela não calibra nada — ela distorce.
A distância entre o primeiro exame de sangue e um bebê nos braços ainda é enorme — e ninguém te avisa que o positivo não fecha essa distância, apenas a torna visível.
O corpo envia sinais. Alguns deles são sutis durante anos. A tarefa não é se culpar por não tê-los percebido antes. A tarefa é aprender, agora, o idioma em que eles falam.
O sofrimento vago, aquela névoa de culpa e incerteza que ocupa o pensamento sem forma definida, ganha contornos. E contornos, por mais desconfortáveis que sejam, são melhores do que névoa. Porque contornos se trabalham. Névoa paralisa.