A ação humana, como todos os fenômenos estritamente políticos, está estreitamente ligada à pluralidade humana, uma das condições fundamentais de vida humana, na medida em que repousa no fato da natalidade, por meio do qual o mundo humano é constantemente invadido por estrangeiros, recém-chegados cujas ações e reações não podem ser previstas por aqueles que nele já se encontram.
A ação, ao contrário da fabricação, nunca deixa um produto final atrás de si. Se chega a ter quaisquer consequências, estas consistem em uma nova e interminável cadeia de acontecimentos cujo resultado final o ator é absolutamente incapaz de conhecer ou controlar de antemão.
A autoridade, assentando-se sobre um alicerce no passado como sua inabalada pedra angular, deu ao mundo a permanência e a durabilidade de que os seres humanos necessitam precisamente por serem mortais.
A grandeza de Kierkegaard, Marx e Nietzsche repousa no fato de terem percebido seu mundo invadido por problemas novos com os quais nossa tradição de pensamento era incapaz de lidar.
A tradição de nosso pensamento político teve seu início definido nos ensinamentos de Platão e Aristóteles e chegou a um fim não menos definido com as teorias de Karl Marx.