A função da literatura, através de todas as suas mutações, tem sido a de nos tornar conscientes da particularidade dos seres humanos, e da alta autoridade dos mesmos em sua luta com sua sociedade e sua cultura. A literatura é nesse sentido subversiva.
Em nossa sociedade a pessoa mais simples está envolvida com as ideias. Cada pessoa que encontramos no curso de nossa vida diária, não importa quão iletrada possa ser, tateia com frases em direção a um sentido de sua vida e sua posição nela; e tem o que quase sempre acompanha um impulso à ideologia, uma boa dose de animosidade e ira.
O corpo envia sinais. Alguns deles são sutis durante anos. A tarefa não é se culpar por não tê-los percebido antes. A tarefa é aprender, agora, o idioma em que eles falam.
O sofrimento vago, aquela névoa de culpa e incerteza que ocupa o pensamento sem forma definida, ganha contornos. E contornos, por mais desconfortáveis que sejam, são melhores do que névoa. Porque contornos se trabalham. Névoa paralisa.