Os outros são para nós como os 'personagens' da ficção, eternos e incorrigíveis; as surpresas que nos dão resultam no final previsíveis — variações inesperadas sobre o tema de serem eles mesmos, do princípio da individuação. Mas é precisamente esse princípio que não podemos ver em nós mesmos.
Pode ser que os caprichos do acaso sejam realmente as importunidades do desígnio. Mas se há um desígnio, seu objetivo é parecer natural e fortuito; é assim que nos coloca em sua rede.
A consciência pode ser considerada uma das testemunhas mais mentirosas que já foi interrogada. Mas é a única testemunha que existe; e tudo o que podemos fazer é colocá-la na câmara de tortura e arrancar a verdade dela, com o julgamento que pudermos ordenar.