Eu havia terminado de aceitar como evangelho o que os cirurgiões americanos ensinavam, e estava pronto para explorar outros ramos da ciência que pudessem ser úteis na minha prática. Queria também ver, em outros países, o que outros cirurgiões haviam descoberto. Não acreditava mais que os cirurgiões americanos, fosse na Escola de Medicina de Harvard ou na Clínica Cleveland, tivessem as respostas para todas as perguntas.
Original: I was through with accepting as gospel what American surgeons taught, and I was ready to explore other branches of science that might be of use in my practice. I also wanted to see in other countries what other surgeons had discovered. I no longer felt that American surgeons, whether at Harvard Medical School or the Cleveland Clinic, had the answers to all questions.
Fonte: A Companion to Aphorisms & Quotations for the Surgeon — Cirurgia Internacional
Como resultado da biópsia por agulha para estabelecer o diagnóstico, do uso de doses supressivas de hormônio tireoidiano para tratar bócios benignos e a tireoidite linfomatosa, e do uso de corticosteroides para tratar a tireoidite subaguda, praticamente abolimos a cirurgia da tireoide... o número de operações tireoidianas realizadas na Cleveland Clinic caiu de 2.700 no ano de 1927 para menos de 50 por ano.
Considerações econômicas às vezes motivam os médicos a aceitar apenas a parcela das evidências científicas que melhor sustenta o método que lhes rende mais dinheiro.
O treinamento, a prática e as pressões econômicas podem empurrar o raciocínio dos cirurgiões na direção de cirurgias mais frequentes, mais radicais e mais remuneradas. Não é que os cirurgiões decidam conscientemente realizar uma operação por razões econômicas. A decisão é mais sutil, e se baseia no treinamento e nos hábitos de prática que, ao longo dos anos, foram moldados pelas pressões econômicas, sempre na mesma direção. Se há dúvida entre operar ou não operar, é economicamente sensato operar. Se a questão é entre uma grande operação ou uma pequena, é economicamente mais vantajoso fazer a grande. Se a questão é cirurgia versus radioterapia, é a cirurgia que favorece o cirurgião. Por fim, se a questão é realizar a operação ele mesmo ou encaminhar o paciente a um especialista mais qualificado, é evidente que há pouco lucro a se obter com o encaminhamento.
...não há base para se defender um único tipo de operação para os cânceres operáveis da mama, tampouco para se adotar uma política geral, a favor ou contra, no que diz respeito à irradiação, à remoção das glândulas endócrinas ou à terapia endócrina. Cirurgia, irradiação e terapia endócrina são espadas de dois gumes que tanto prejudicam quanto beneficiam. O desafio para o cirurgião é controlar o câncer da melhor forma possível e fazê-lo com o menor dano possível.