“Foi embora! Acabou!”, disse Anna consigo, parada junto à janela; e, em resposta a esse pensamento, a sensação de trevas que a assaltara no instante em que a vela se apagou e a sensação deixada pelo seu sonho aterrador fundiram-se em uma só e encheram seu coração de um terror frio.
O corpo envia sinais. Alguns deles são sutis durante anos. A tarefa não é se culpar por não tê-los percebido antes. A tarefa é aprender, agora, o idioma em que eles falam.
O sofrimento vago, aquela névoa de culpa e incerteza que ocupa o pensamento sem forma definida, ganha contornos. E contornos, por mais desconfortáveis que sejam, são melhores do que névoa. Porque contornos se trabalham. Névoa paralisa.