Ler maisE se ela tentava empregar a minha linguagem resumida, matuta, as expressões mais inofensivas e concretas eram para mim semelhantes às cobras: faziam voltas, picavam e tinham significação venenosa.

Frases de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos - 1413 frases no Frases Fortes.
Ler maisÉ só arranjar uma caixa, um oratório, meia dúzia de estampas e uma verruga no nariz, coisa que dá certo respeito e importância a uma pessoa que deseje dedicar-se à prática da exploração do carolismo.
Ler maisE tudo calado, tão calado que se ouvia perfeitamente uma formiga mexer nos garranchos e uma folha cair.
Ler maisE um cachorro daquele fazia versos, era poeta.
Ler maisE um respeito cheio de inveja me detinha na calçada.
Ler maisÉ uma desgraça viver em cidade pequena, onde a qualquer hora podem encontrar-se pessoas conhecidas que espreitam.
Ler maisÉ uma incongruência natural neste país, onde os indigentes evitam qualquer alusão à pobreza e os mulatos ignoram o preto.
Ler maisÉ uma infeliz que surge não se sabe como e assim desaparece, mas deixa sinal da sua passagem — uma dessas pedras em que topamos, que nos arranca a unha, nos arranca o dedo e nos torna coxos para o resto da vida.
Ler maisE uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.
Ler maisE várias pessoas despertaram ricas em 13 de maio de 1888 e adormeceram arruinadas.
Ler maisÉ verdade que tenho o cigarro e tenho o álcool, mas quando bebo demais ou fumo demais, a minha tristeza cresce. Tristeza e raiva.
Ler maisE, olhando a mão única, dura e calejada no trabalho, reconhece honestamente que ela é negra. Reconhece e confessa.
Ler maisE, perdendo muito sangue, andou como gente, em dois pés, arrastando com dificuldade a parte posterior do corpo.
Ler maisEça era um ateu, um homem que não respeitava nada, que não tomava as coisas a sério. Pintou ministros estúpidos, padres devassos, jornalistas vendidos, condessas adúlteras; escarneceu a literatura de sua pátria, a política, as respeitáveis cinzas dos brutos e gloriosos antepassados dos vencedores dos mouros; troçou a burguesia, a religião, o hino da carta.
Ler maisEla já nem era mulher, era apenas um corpo desmilinguido, quase sem carne, a pele frouxa se esforçando para segurar os ossos.
Ler maisEla se amaciava, arredondava as arestas, afrouxava os dedos que nos batiam no cocuruto, dobrados, e tinham dureza de martelos.
Ler maisEla tinha descido, caído, habituava-se a esgueirar-se, pedir desculpa, no futuro seria um trapo como D. Adélia.
Ler maisEle suportava a ingratidão e os remoques, desvanecia-os depressa, ria mostrando os dentes amarelos, que me faziam pensar no gigante Adamastor.
Ler maisEle, sinha Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra.
Ler maisEm 1937 escrevi algumas linhas sobre a morte duma cachorra, um bicho que saiu inteligente demais, creio eu, e por isso um pouco diferente dos meus bípedes.