Ler maisE a garça de bronze, à beira da água, levantava a perna inútil com displicência, mostrava-me o bico num conselho mudo, que não percebi.

Frases de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos - 1413 frases no Frases Fortes.
Ler maisE a gente bocejava olhando as paredes, esperando que uma réstia chegasse ao risco de lápis que marcava duas horas.
Ler maisE a literatura se purificará, tornar-se-á inofensiva e cor-de-rosa, não provocará o mau humor de ninguém, não perturbará a digestão dos que podem comer. Amém.
Ler maisE a minha confiança nas construções minguou.
Ler maisÉ a mocidade. Indecência. Atracados, os olhos vermelhos, baba no canto da boca, uns bichos.
Ler maisE a negra, incompleta e imunda, não estava no céu. Que ia fazer lá? Estragaria as delícias eternas, mancharia as asas dos anjos.
Ler maisE achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa.
Ler maisE achei que não fazer caso da opinião dos outros é censurável.
Ler maisE agora, que tudo está feito e nada mais deseja, distrai-se com tarefas pequenas.
Ler maisE ali estava aquela carcaça comida pelo treponema.
Ler maisE as cadeias, que desejei arrastar, tinham-se afrouxado de repente, abandonando-me, livre e inútil, junto a uma velha que chorava por um menino de chapéu de palha.
Ler maisE assim, tolerado por uns, adulado por outros, fixaria de novo na terra antiga as raízes cortadas.
Ler maisE como a justiça era cara, não foram à justiça.
Ler maisE contra isso qualquer esforço era inútil.
Ler maisE deixou-me em paz, esteve semanas sem me dirigir palavra, certamente julgando-me imbecil, o que muito me serviu.
Ler maisÉ desagradável mas é verdade — e o que é ainda mais desagradável, e também verdade, é reconhecer que, apesar de haver sido muitas vezes xingada essa literatura, o público se interessa por ela.
Ler maisE Deus liga pouca importância a bichinhos miúdos como nós: tem em que se ocupe e não vai bancar o espião de maridos enganados.
Ler maisE do atoleiro vinha um glu-glu semelhante ao rumor que alguém faz quando quer engolir qualquer coisa sem poder, e à superfície subiam sempre aquelas bolhas redondas, avermelhadas, como uns grandes olhos que estivessem assistindo aos esforços do desgraçado, impassíveis, zombeteiros.
Ler maisE durante semanas o pobre repuxava as mangas, abotoava-se, endireitava a gola, para encobrir equimoses, sinais vermelhos, cinzentos, negros.
Ler maisE ele, Fabiano, era como a bolandeira. Não sabia por quê, mas era.