A dignidade pela qual se deve lutar não vale a pena ser discutida, pois é essencial para a dignidade real ser autossuficiente, e a dignidade de nenhum homem pode ser afirmada sem ser afetada.
É uma arte na adulação deixar cair seus elogios como se os considerasse uma questão de indiferença para com aquele a quem se dirigem; pois assim uma adulação incluirá outra — e essa outra talvez a mais agradável — sendo a de atribuir à pessoa uma peculiar ausência de amor-próprio.
Há uma espécie de homem que vai pelo mundo em uma sucessão de disputas, sempre capaz de fazer parecer que tem razão, embora nunca deixe de colocar outros homens em situação ruim. O mínimo que se pode dizer de tal pessoa é que ela tem uma infeliz aptidão para provocar qualquer mal que possa haver nas naturezas com as quais entra em contato; e um homem que tem certeza de causar danos onde quer que vá é quase tão malvado e incômodo como se ele próprio fosse o malfeitor.
A fraqueza fundamental do ser humano não consiste em não poder vencer, mas em não poder tirar proveito da vitória. A juventude pode vencer tudo, a fraude primordial, a ideia diabólica, mas não há ninguém ali que possa capturar a vitória, que possa vivificá-la, pois a juventude já passou. A velhice não ousa tocar jamais na vitória e a nova juventude, atormentada pelo novo ataque empreendido, quer sua própria vitória. Assim o demônio é continuamente derrotado, mas nunca destruído.