É verdade que alguns homens desenvolveram uma perspectiva ética que lhes permite criticar as crueldades que observam na natureza, mas isso não serve, à primeira vista, para demonstrar que o homem é obrigado a melhorar a si mesmo, moral e intelectualmente. Talvez sejam esses homens moralmente sensíveis os que estão destinados a morrer.
Tudo o que amamos, sem dúvida, passará, talvez amanhã, talvez dentro de milhares de anos. Nem ele nem nosso amor por ele é menos valioso por essa razão.
Foi-lhes concedida a faculdade de escolher entre ser reis ou mensageiros dos reis. Como crianças, escolheram ser mensageiros. Por essa razão há mensageiros barulhentos que percorrem o mundo e, como já não há reis, trocam entre si as notícias desprovidas de sentido. Com prazer poriam fim às suas vidas miseráveis, mas não ousam fazê-lo por causa do juramento profissional.