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Clinica de cirurgia vascular, angiorradiologia, endovascular, ecodoppler vascular, angiologia e radiologia intervencionista. Tratamento de varizes com laser.
Atualizado: 58 minutos 1 segundo atrás

A Classificação de CEAP

ter, 06/28/2016 - 10:02

Como os cirurgiões vasculares classificam a doença venosa.
Embora a doença venosa seja muito comum nas pernas e coxas, elas podem aparecer de formas diferentes nas pessoas. Como já vimos, algumas pessoas podem apresentar teleangiectasias, outras veias varicosas e teleangiectasias, outras ainda nenhuma veia visível anormal, mas podem ter uma úlcera aberta na perna. Além disso a doença venosa pode apresentar vários sintomas diferentes.
Isso fez que fosse necessário comparar os tratamentos para as diferentes formas da doença. Para diminuir essa confusão e padronizar os estudos e o tratamento no mundo inteiro, um grupo de especialistas criou uma classificação chamada de CEAP.
CEAP significa
“C” significa clínica, ou seja, o que é visível das veias.
“E” de etiologia, ou seja, se o problema é herdado ou não.
“A” de anatomia, ou seja, quais veias estão envolvidas.
“P” de fisiopatologia, em inglês, significa qual a direção o sangue está fluindo, se existe refluxo, ou se o fluxo está bloqueado.
Em outras palavras esse sistema de classificação descreve o que o médico vê no exame físico, a causa do problema a localização na perna e o mecanismo responsável para a manifestação do problema.
A classificação de CEAP é usada no mundo inteiro e representa uma linguagem comum entre os médicos que tratam doença venosa. Ela funciona ajudando na pesquisa científica e na comunicação entre os médicos, que, como retorno para o paciente, melhora a qualidade do tratamento e os avanços tecnológicos.
A parte mais usada da classificação de CEAP é o C, que tem sete categorias, de 0 a 6.

  • O C0 é o paciente que tem a menor gravidade, ou seja, não tem nenhum sinal visível de doença ao examinar a perna, mas pode ter sintomas venosos.
  • C1 significa que a pessoa possui teleangiectasias e veias reticulares
  • C2 indica que veias varicosas estão presentes.
  • C3 indica a presença de edema, ou seja, inchaço na perna.
  • C4 já inclui alteração de pele e subcutâneo como a pigmentação, ou seja, a pele mais escura, o eczema, que seria a pele vermelha, coceira. A lipodermatoesclerose, que seria a pele e subcutâneo endurecido, e atrofia alba, que são pequenas áreas esbranquiçadas na pele.
  • C5 é quando o paciente já teve úlcera e essa úlcera cicatrizou.
  • E C6, que é a classe mais grave, significa que existe uma úlcera aberta e ativa na perna.

Em geral, o termo doença venosa refere todo o espectro de C1 a C6.
A insuficiência venosa é restrita a graus mais graves, como C3 a C6.
A classificação de CEAP ajuda muito os médicos a descrever a situação das veias do paciente, mas ela não classifica em nada os sintomas que os pacientes sentem ou como a doença venosa está afetando a sua vida. Para isso existe outro sistema de classificação, que é o Venous Clinical Severity Score, ou Escore de Gravidade de Clínica Venosa, que considera o quanto a doença venosa está interferindo na vida do paciente, na sua habilidade de trabalho e nas suas atividades diárias, ou seja, o quanto impacta na sua vida.
Esse escore ajuda o médico a melhor entender os pacientes que sofrem de doença venosa e ajuda a determinar se o tratamento está sendo efetivo ou não.
Em resumo, a classificação de CEAP é uma língua comum entre os médicos, facilitando a comunicação, melhorando os cuidados para os pacientes e consequentemente melhorando os resultados dos tratamentos.
O Dr Alexandre Amato desenvolveu software para auxiliar na aplicação prática das duas classificações.

Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato

Tags: varizesvenosoclassificação
Categorias: Medicina

Síndrome Das Pernas Balançantes

ter, 06/21/2016 - 09:37

A Síndrome Das Pernas Balançantes afeta aproximadamente 10% das pessoas nos Estados Unidos e pode ser bastante incômoda se você tiver. Ela é caracterizada por uma vontade, impossível de controlar, de movimentar as pernas. Muitas vezes dificultando, à noite, de ter uma noite de sono tranquila.
A Síndrome Das Pernas Balançantes também pode vir acompanhada de outras sensações desagradáveis nas pernas, como sensação de puxão, de peso, de choques elétricos, de formigamento ou de uma tensão.
Como a síndrome frequentemente interfere no sono, as pessoas que sofrem dessa condição, muito frequentemente ficam cansadas, levando à dificuldade de concentração no trabalho, depressão e outras condições médicas.
A gravidade da Síndrome Das Pernas Balançantes é determinada pela intensidade e frequência dos sintomas, pelo velocidade que eles se resolvem quando você resolve movimentar as pernas e pelo quanto os sintomas interferem com o seu sono.
As formas mais leves da síndrome das pernas balançantes podem causar sintomas somente quando a pessoa não mexe a perna por longos períodos de tempo, como durante uma viagem de carro ou de avião. Alguns pacientes com Síndrome Das Pernas Balançantes acabam balançando as pernas frequentemente durante a noite e isso pode afetar não só a pessoa com a doença, mas também quem está dormindo com ela.
Existem duas formas da Síndrome Das Pernas Balançantes, o primeiro tipo começa antes dos 45 anos e piora com a progressão da vida. Normalmente ocorrem em famílias e o segundo tipo da Síndrome Das Pernas Balançantes não parece ser hereditário e normalmente aparece depois dos 45 anos. Aparece subitamente e os sintomas ficam estáveis.
Algumas vezes a Síndrome Das Pernas Balançantes pode ser desencadeadas por medicações como antidepressivos, anti-histamínicos, antinauseantes, uma classe de medicamentos para pressão alta chamados de bloqueadores de canal de cálcio.
Em outros pacientes as condições incluem a gravidez, diabetes, a doença de Parkinson, artrite reumatóide, falta de ferro, falência renal, que podem ser responsáveis pela Síndrome Das Pernas Balançantes.
Quando a doença causadora resolve ou melhora, os sintomas da Síndrome Das Pernas Balançantes também melhoram.
A pesquisa sugere que a Síndrome Das Pernas Balançantes pode resultar do uso inapropriado de ferro no cérebro. O ferro é necessário para fazer o neurotransmissor dopamina, que é uma substância que participa ativamente do controle da movimentação.
Não existe nenhum exame para diagnosticar a Síndrome Das Pernas Balançantes. O diagnóstico é completamente clínico, feito pelo médico baseado nos sintomas relatados pelo paciente, que são a necessidade de movimentação das pernas, sensação desagradável nas pernas, sintomas que ocorrem durante a noite, quando suas pernas não estão se movendo e sintomas que diminuem quando você começa a movimentar a perna ou caminhar.
Embora não tenha nenhum tratamento específico para a Síndrome Das Pernas Balançantes os pacientes que apresentam essa doença frequentemente sentem melhora quando dormem o suficiente, quando fazem exercício físico, ao evitar o tabaco e o álcool e tomar alguma medicação indicada pelo médico.
Por que os flebologistas e os cirurgiões vasculares se interessam pela Síndrome Das Pernas Balançantes? Porque os pacientes normalmente procuram o cirurgião vascular por causa dos sintomas nas pernas e com receio de que esses sintomas sejam devido a varizes.
Como já citado, a presença dos sintomas específicos pode indicar se você tem a Síndrome Das Pernas Balançantes. Embora não existam estudos específicos, que confirmam isso, muitos cirurgiões vasculares acreditam que o uso de meias elásticas de compressão melhoram os sintomas da síndrome.
Existem pesquisas que mostram também que quem possui a doença venosa como varizes, ao tratar, melhora os sintomas da Síndrome Das Pernas Balançantes, muito provavelmente porque a doença venosa desencadeia os sintomas da Síndrome Das Pernas Balançantes.
Também existe o caso onde a doença venosa coexiste com a Síndrome Das Pernas Balançantes e o tratamento da doença venosa pode melhorar suficientemente os sintomas para que o paciente sinta um benefício mesmo que a Síndrome Das Pernas Balançantes continue ocorrendo.
De qualquer modo o uso das meias elásticas e o tratamento das veias varicosas e teleangiectasias são sugestões razoáveis para o paciente que possui a Síndrome Das Pernas Balançantes associada à doença venosa.
 
Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato

Tags: venososíndrome
Categorias: Medicina

Coágulos Sanguíneos, Trombose Venosa Profunda e Flebite Superficial

seg, 06/20/2016 - 08:19

Todo mundo fala ou já ouviu falar sobre trombose, mas a trombose tem diferentes aspectos e apresentações que devem ser elucidados. O termo trombose costuma vir acompanhado de um certo medo, isso porque várias pessoas já ouviram histórias e algumas pessoas famosas já sofreram e há alguns relatos de casos de morte por trombose.
Só para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, a cada ano dois milhões de pessoas desenvolvem trombose e dessas, trezentas mil morrem por causa disso.
Mas o que leva a se formarem esses coágulos? Como você fica sabendo se você tem um coágulo ou uma trombose? E o que você deve fazer se você suspeitar que tem uma trombose.
Essas são as perguntas que ficam rodeando nossa mente. A boa notícia é que tem resposta para todas essas perguntas. O que pode aliviar o nosso receio e diminuir a nossa chance de desenvolver uma trombose, ou mesmo de ter as consequências graves de uma trombose.
Os fatores principais que contribuem para a formação de um coágulo no nosso corpo são o fluxo do sangue mais lento, o dano na parede da veia e mudanças na composição do sangue (tríade de Virchow). O fator mais comum é o fluxo sanguíneo mais lento. Quando o fluxo sanguíneo diminui, ele tende a coagular, por isso que os trombos normalmente são descobertos após a pessoa viajar de avião ou uma longa viagem de carro. Nesses casos, como nós não estamos movendo nossas pernas por um longo período durante a viagem, nossos músculos não têm a oportunidade de bombear o nosso sangue pelas veias de nossa perna.
A velocidade do sangue, portanto, acaba diminuindo e o trombo acaba se formando. Como nós ficamos muito apertados em assentos pequenos e isso acaba dificultando a movimentação em viagens de avião, a formação desses trombos acaba sendo chamada de “síndrome da classe econômica” ou “a trombose do viajante”.
Da próxima fizer uma viagem internacional de avião, preste atenção que nas revistas que estão à sua frente, normalmente tem um folheto explicativo sobre a trombose venosa profunda e, nesse folheto, há a sugestão de você flexionar as suas pernas e movimentar os seus pés durante o voo.
A intenção disso é contrair o músculo da panturrilha e fazer o seu sangue mover mais rapidamente, diminuindo a tendência de formar esse coágulo. O uso da meia elástica de compressão aumenta também o fluxo pelas veias. E essa é uma outra maneira efetiva de reduzir as chances de desenvolver um trombo durante a viagem.
A segunda razão ou situação que ajuda a formar o trombo nas veias, é quando a parede venosa fica danificada. A resposta do nosso corpo a esse dano é formar uma capa, uma camada protetora sobre a área danificada da veia. Essa camada é chamada de trombina e pode se expandir em um trombo que acaba bloqueando o fluxo sanguíneo.
Esses danos na parede venosa podem ocorrer quando o indivíduo machuca a sua perna ou faz uma cirurgia. Essa é uma das razões porque os pacientes devem tomar medicamentos que afinam o sangue antes ou após as cirurgias.
Outro motivo para danos nas paredes venosas é a movimentação repetida, como nos esportes, levando ao que é chamado de trombose de esforço. Isso normalmente acaba resultando em trombos nos braços que podem acontecer em nadadores, jogadores de tênis e outros que movem o ombro repetidamente. Esse movimento repetido pode acabar pinçando e comprimindo as veias dos braços, danificando-as.
O terceiro fator que contribui para formação dos trombos é a variação da composição do sangue. nós temos fatores sanguíneos que desenvolvem o coágulo se nós precisarmos de um. Lembre-se que o coágulo normalmente é uma coisa boa, nós podemos precisar de um coágulo se nós nos machucamos, para parar o sangramento. Quem não consegue coagular tem outro problema, que é a hemofilia e pode sangrar sem parar.
Outros fatores que nós temos em nosso sangue servem para dissolver o coágulo. Se nós temos um excesso ou uma falta de um desses fatores, nossa capacidade de formar ou dissolver os coágulos pode ser modificada.
Muitas dessas condições são genéticas e hereditárias, como por exemplo a mutação do Fator V de Leiden, a mutação da protrombina G20210A ou a deficiência da proteína C ou a deficiência da proteína S.
Outras alterações podem ser causadas pelo uso de medicações, como altas doses de hormônios, gravidez ou outras condições médicas, como um câncer, por exemplo.
Outra maneira do sangue mudar a sua composição é se nós ficarmos desidratados. Quanto mais desidratado, maior a chance de desenvolver um coágulo. Por isso é sábio tomar bastante líquido e ficar longe de outros que causam desidratação, como o uso de álcool em excesso em viagens.
Os coágulos podem se formar tanto em veias superficiais quanto nas veias profundas. Quando esses trombos se formam em veias profundas, a doença é chamada de trombose venosa profunda. Quando ela se forma em uma veia superficial, ela é chamada de tromboflebite superficial.
Quando ocorrem em veias superficiais, ela é bem próxima da pele e a pessoa acaba notando que a veia fica dura, vermelha e dolorosa quando a tromboflebite superficial está presente.
Em alguns casos a trombose venosa profunda pode ocorrer junto com a trombose venosa superficial e assim, o paciente deve passar em consulta com seu cirurgião vascular para fazer um ultrassom e determinar se é isso que está acontecendo.
Quando ocorre a formação de um coágulo, existem três desfechos para esse trombo:

  • Se desprender e mover através da circulação até os pulmões, causando um tromboembolismo pulmonar, que pode levar à falta de ar, dor no peito e até à morte. Em casos mais raros esse coágulo pode se mover através da circulação venosa e, no coração, encontrar uma conexão anormal que pode levar este trombo para a circulação arterial e, das artérias, ir para o cérebro ou para alguma outra
  • O coágulo pode também ser reabsorvido e formar uma cicatriz dentro da veia e essa cicatriz pode obstruir o fluxo sanguíneo e deformar a válvula. Deformando a válvula e havendo fluxo dentro da veia, esse sangue pode mover tanto para cima ou para baixo, o que não é normal. Esse fluxo para baixo é chamado de refluxo, e pode levar a vários problemas, como inchaço, dor crônica e ulceração da pele, com feridas de longa duração. Quando isto acontece, isso é chamado de síndrome pós trombótica, leva aos sintomas da insuficiência venosa crônica.
  • E o terceiro desfecho seria o trombo que se dissolve e deixa a veia em uma boa condição.

Obviamente nós gostaríamos que todos os coágulos se dissolvessem e deixassem a veia funcionando normalmente. Existe a chance disso acontecer se a pessoa procura os cuidados médicos quando o trombo se desenvolve.
Mas como saber se você pode ter um trombo dentro das veias?
Os sintomas da trombose venosa são

  • Dor nas pernas, normalmente no tornozelo, que piora quando você se move.
  • Inchaço das pernas.
  • Aparecimento súbito de cãibras que não melhoram.
  • Falta de ar ou dor no peito quando faz uma inspiração profundamente
  • Uma área dolorosa, vermelha, dura, na perna, principalmente no trajeto de uma veia varicosa.

No pronto socorro ou mesmo no consultório médico, um teste chamado D-dímero pode sugerir se a pessoa tem ou não a trombose, mas o diagnóstico preciso vai necessitar um exame de imagem.
Na perna, normalmente esse exame é um ultrassom ou ecodopler.
Para trombos nos pulmões o exame de preferência é a tomografia computadorizada, embora outros também possam ser realizados dependendo da sua disponibilidade.
Assim que um trombo é descoberto, sua localização identificada e sua extensão vista, o histórico médico levantado, pode-se determinar o melhor tratamento.
Para trombos que estão obstruindo o fluxo sanguíneo dos pulmões ou trombos muito grandes nas pernas ou na pelve e que estão causando sérios problemas se não forem dissolvidos, existe uma medicação que pode ser injetada por horas para dissolver esses coágulos. Essa é a terapia trombolítica, que requer que se fique internado no hospital, e só deve ser realizada em casos bem selecionados e precocemente.
Para a maioria das outras tromboses mais simples, o uso de uma medicação injetável ou via oral permite que você continue as suas atividades normais.
Essas medicações são chamadas de anticoagulantes e são tomadas diariamente por um período que pode variar de três, seis ou mesmo doze meses depois da formação do trombo, dependendo da sua situação.
Outra parte importante do tratamento é o uso das meias elásticas de compressão todos os dias. Isso aumenta sobremaneira a melhora dos sintomas e a chance de você desenvolver uma insuficiência venosa crônica, chamada de síndrome pós trombótica.
Caminhar ou fazer algum tipo de exercício vai fortalecer a musculatura que bombeia o sangue pelas suas pernas e melhorando a sua circulação. Se você desenvolveu uma trombose, existe uma grande chance de apresentar outra durante a sua vida. Então a melhor maneira é se prevenir.
Para fazer isso, fique consciente das suas pernas. Ou seja, se você está sentado por muito tempo ou de pé, parado por muito tempo, movimente os seus tornozelos repetidamente tentando se levantar ou caminhar por um minuto ou dois a cada trinta minutos parado.
Use meias elásticas de compressão quando estiver de pé, parado ou sentado por muito tempo, principalmente quando for viajar.
Se você ou alguém da sua família tiver história de trombose, pergunte para seu médico sobre os testes sanguíneos que podem determinar se você tem uma herança genética ou uma pré-disposição para formar trombose.
Em alguns casos pode ser necessário o uso de anticoagulantes antes de viagens ou cirurgias.
E se você desenvolver qualquer um dos sintomas listados anteriormente, certifique-se de procurar ajuda médica assim que possível. O cirurgião vascular é o médico recomendado para avaliação na vigência da trombose venosa, o hematologista é o especialista no tratamento das doenças do sangue e trombofilias, mas muitos outros profissionais podem atuar no seu tratamento durante a internação, como o pneumologista, o médico intensivista e outros.
Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato
* Imagens do banco de imagens: Dreamstime.com - Thrombosis

Tags: trombosevenosoveiatvp
Categorias: Medicina

Insuficiência Venosa Crônica (IVC)

qui, 06/16/2016 - 07:39

Algumas pessoas dizem “Se as suas veias te incomodam, você não precisa fazer nada com elas.” Ou pior: “Não adianta tratar porque elas voltam.”. Ou ainda “Junte todas as veias varicosas para tratar somente depois de todas as gestações.”
Da mesma maneira, pessoas que têm trombose venosa na perna, recebem um monte de informação sobre os medicamentos que afinam o sangue. A preocupação está focada no momento, mas poucos lembram sobre as complicações a longo prazo dessa trombose.
Por causa dessas informações incompletas, as pessoas acabam por muitas vezes não passando em consulta com o cirurgião vascular e surpreendem-se quando começam a desenvolver sintomas como inchaço nos pés, tornozelos e pernas, mancha escura, mancha ocre, em volta do tornozelo, um espessamento e endurecimento da pele em volta do tornozelo e feridas ou úlceras nas pernas ou tornozelos. A Insuficiência Venosa Crônica se refere aos danos causados pela hipertensão venosa e refluxo venoso na pele e subcutâneo.
Por que isso acontece e quem deve se preocupar com isso?
A cada ano que passa, mais pesquisas são feitas e mais nós entendemos sobre esse assunto. Dentre tantos problemas de saúde existentes, esse é um problema muito frequente, bem estudado, benigno e com muitas opções de controle e/ou tratamento. Então não há porque sofrer.
Para entender esse problema, o que acontece e o que se pode fazer para evitar, vamos entender como nossa circulação funciona. O que pode acontecer de errado e o que nós podemos fazer para prevenir problemas no futuro.
Nossa circulação começa quando o coração, que é uma bomba propulsora, bombeia o sangue através de nossas artérias e veias para todos os tecidos de nosso corpo. Para nossas artérias o trabalho é relativamente fácil, pois a  bomba cardíaca é muito forte e a força da gravidade ainda ajuda a empurrar o sangue até os pés.
Depois que os tecidos como músculo, pele, gordura e outros usam o oxigênio e os nutrientes do sangue, eles retornam o dióxido de carbono e outras substâncias que são consideradas restos de nosso metabolismo para nossas veias.
A partir daí nossas veias têm que bombear o sangue de volta para nosso coração. Para que isso aconteça, as veias utilizam a força dos músculos da perna para empurrar o sangue para cima. Para que isso funcione, as veias dependem das válvulas unidirecionais, que mantêm o sangue em uma direção só, em direção ao coração. Durante a contração da musculatura, as veias são “espremidas” e o sangue é forçado para cima.
Quando as doenças venosas acontecem normalmente ocorre porque as válvulas deixaram de funcionar. Nas nossas veias profundas, as válvulas se danificam quando a pessoa tem uma trombose venosa profunda, ou seja, um coágulo dentro da veia. E esse coágulo ao ser absorvido deixa cicatrizes na parede da veia.
Nas nossas veias superficiais, o dano ocorre quando há inflamação crônica no nosso corpo, que causa um enfraquecimento da parede venosa e a dilatação dessa veia. Quando essas veias dilatam, as válvulas se afastam e deixam de funcionar, deixando também de resistir à gravidade, de modo que o sangue acaba retornando com pressão inversa para os pés.
Quanto mais sangue vai para os pés, aumenta a pressão venosa no local, sendo que no tornozelo essa pressão é ainda maior. À medida que essa pressão aumenta, ocorre um estresse maior nas pequenas veias da superfície da pele e elas também dilatam, gerando o aparecimento de aglomerados de teleangiectasias, que ficam visíveis na parte interna e externa do tornozelo. Esse amontoado de veias próximo do tornozelo é conhecido como “coroa flebectásica”.
O aumento da pressão venosa, associado à fraqueza da parede da veia, permite que fluidos atravessem a veia, causando o edema (inchaço) nos pés, tornozelos e pernas. Em algum momento, além do fluido, células vermelhas também passam a sair das veias e a nossa pele a absorver o ferro contido dentro das células vermelhas, transformando-as numa cor marrom.
No começo esse marrom aparece como pequenos pontos ou manchas em volta do tornozelo, mas com o passar dos anos, a área inteira do tornozelo pode se tornar amarronzada. Essa mancha marrom é conhecida como hiperpigmentação ou dermatite ocre. Quando há inflamação na área, a cor pode estar mais vermelha do que marrom e isso é chamado de dermatite, que pode estar associada ao eczema.
Quando toda a parte inferior da perna perde a sua cor original e a pele fica mais espessa, dura ou parecendo couro, isso é uma condição chamada lipodermatoesclerose. Todas essas mudanças na aparência da perna e do tornozelo acusam para o mesmo problema, que é o aumento da pressão venosa. Quando muito alta, a hipertensão afeta a saúde da pele nessa região e se o problema venoso não for corrigido, essa pele vai sucumbir e uma ferida vai abrir, mesmo sem haver nenhum trauma. Essa ferida se chama úlcera venosa.
Quando a pessoa apresenta qualquer uma dessas complicações com as suas veias varicosas ou por causa de uma trombose venosa anterior é dito que ela tem insuficiência venosa crônica.
Se você já teve uma trombose venosa nas pernas ou se você tem veias varicosas ou qualquer um dos sintomas nas pernas, com edema, dor, sensação de peso, cãibras, você deveria se consultar com um especialista em veias, que é o cirurgião vascular.
Um dos exames importantes que o flebologista ou cirurgião vascular vai realizar é o ultrassom venoso, ecodopler venoso das pernas ou mapeamento venoso. O ecodopler é um exame não invasivo, que não dói e que identifica claramente se você possui veias que estão levando sangue no sentido errado. Consegue também avaliar a gravidade da situação. A pletismografia é outro exame utilizado para avaliar não só o tempo de enchimento venoso, que indica a insuficiência venosa, mas também a eficácia da bomba da panturrilha.
O exame visual das pernas também vai ajudar o médico a considerar se você possui veias que estão levando sangue no sentido errado. Consegue avaliar também a gravidade da situação. O exame das pernas também vai ajudar o médico a identificar se você possui doença venosa que já está afetando a pele e subcutâneo.
Se você apresenta qualquer uma dessas modificações na sua pele ou se o seu médico acredita que o fluxo venoso está colocando você em risco de ocorrer essas mudanças, existem vários procedimentos que podem mudar esta situação. O mais simples e mais econômico é o uso de meia elástica de compressão, que deve ser indicado pelo especialista. Existem doenças arteriais que contra indicam o uso da meia, além da alergia ao silicone e tecido da meia. Frequentemente o uso de meia 3/4 ou até o joelho é suficiente e pode ser comprada em qualquer casa de material médico cirúrgico.
Mas o bom uso da meia requer que a perna seja adequadamente medida. Meia elástica não se compra por aproximação do tamanho, é preciso medida precisa. O cirurgião vascular vai indicar qual o grau de compressão que essa meia deve ter: alta, média ou baixa. Ao usar essa meia todos os dias, principalmente nos momentos em que fica muito tempo de pé ou sentado, você vai ajudar o seu corpo a bombear o sangue de volta para o coração e vai dificultar a ação da gravidade que puxa o sangue para baixo evitando o aumento da pressão venosa nas pernas.
Alguns estudos também mostraram que o uso da meia de pressão graduada também aumenta o transporte de oxigênio para a pele. Então com o uso das meias elásticas a gente permite que a pele se torne mais saudável e muitas vezes há uma melhora nessa coloração, do inchaço e do endurecimento da pele. Sabemos das dificuldades de uso da meia no calor, por isso meias com tecidos de boa qualidade e bem medidas são essenciais para o êxito.
Recentemente atletas de alta performance tem utilizado a meia elástica como complemento e auxilio para melhores resultados. Isso ainda carece de maiores estudos.
Enquanto as meias elásticas são muito importantes no controle da insuficiência venosa crônica, para uma solução a longo prazo, você vai precisar mais do que apenas as meias elásticas.
Com o exame de ultrassom nós podemos ver exatamente quais veias estão funcionando e quais não estão e assim determinar qual o melhor tratamento para você.
Atualmente existem diversos tratamentos que permitem uma recuperação bem rápida. Dependendo do tratamento selecionado, pode ser feito no consultório ou Day Hospital ou em hospitais, com alta precoce, de modo que o retorno às atividades diárias ocorre no dia seguinte.
Por muito tempo as pessoas que possuíam insuficiência venosa crônica estavam fadadas a uma vida de pernas inchadas, dor e úlceras recorrentes. Atualmente os cirurgiões vasculares estão equipados com um conhecimento muito amplo da doença e tratamentos muito eficazes, portanto insuficiência venosa crônica no século XXI é uma condição tratável que não precisa limitar uma pessoa ou ser responsável por diminuição da qualidade de vida.

Tags: venosoveiainsuficiência venosa
Categorias: Medicina

Veias Varicosas e Varizes

qua, 06/15/2016 - 07:09

Veias varicosas afetam a vida de milhões de pessoas. E por causa dessa frequência e divulgação, a maioria das pessoas reconhece facilmente as veias varicosas como veias dilatadas e tortuosas, visíveis a olho nu e que saltam por sobre a pele. O diagnóstico muitas vezes é feito pelo próprio paciente.
Mas você sabia que você pode ter veias varicosas não tão aparentes e nem ficar sabendo?
Muitas dessas veias estão abaixo da superfície da pele e não são visíveis. As teleangectasias visíveis e as veias varicosas às vezes são apenas a ponta do iceberg. Embora a maioria dos pacientes procure ajuda médica porque esta descontente com a parte estética das teleangectasias e das veias varicosas, isso pode esconder, de fato, um problema venoso muito maior.
As teleangectasias e veias varicosas podem ser um sinal externo, ou um aviso, de que há um problema interno que é conhecido como insuficiência venosa. Pacientes que têm dor crônica, desconforto, sensação de peso ou câimbras, são pacientes que têm mais chance de possuir insuficiência venosa.
As veias varicosas normalmente aparecem em adultos e podem ser causadas por uma variedade de fatores genéticos, ambientais e ocupacionais. O histórico familiar de veias varicosas, múltiplas gravidezes, exposição ao hormônio estrogênio com medicamentos, um estilo de vida sedentário, trauma de tecidos moles e algumas profissões que requerem muito tempo sentado ou de pé. Histórico de trombose e idade avançada, podem todos contribuir para o desenvolvimento da doença venosa, como veias varicosas e insuficiência venosa.
As pessoas frequentemente pensam “O que causa a veia varicosa?”
Enquanto veias normais do nosso corpo trazem o sangue de volta para cima, trazem o sangue das pernas de volta para o coração, as veias varicosas permitem o fluxo sanguíneo nas duas direções, tanto para cima, para o coração, quanto para baixo, para os pés. Isso porque as veias perderam sua habilidade de vencer a gravidade, que está constantemente fazendo força para trazer o sangue para baixo.
Se a gravidade vencesse e todo o nosso sangue parasse em nossos pés, nós iríamos desmaiar. Para evitar que isso aconteça, nós temos válvulas na maior parte de nossas veias, que somente permitem o fluxo em um sentido.
Mas enquanto as veias começam o processo de se tornar varicosas, as paredes vão ficando mais fracas e dilatando. Enquanto elas dilatam, as paredes das veias ficam mais distantes, afastando as válvulas e permitindo que a gravidade vença, empurrando um pouquinho de sangue em direção aos nossos pés, que seria o refluxo.
O que causa esse enfraquecimento das paredes venosas?
Pesquisas recentes mostram que esse é um processo complicado que envolve a inflamação do corpo, que resulta no dano da parede da veia. Até o momento, não se sabe definitivamente o que desencadeia essa inflamação ou o que pode preveni-la, mas temos alguns indícios.
Os flebologistas têm a esperança de que um dia haverá uma maneira de impedir essa inflamação ou impedir o dano na parede venosa e prevenir a formação das veias varicosas completamente, mas até o momento ainda não há.
Além dos problemas estéticos que as veias dilatadas criam, elas também apresentam uma variedade de outros problemas para as pessoas que as possuem. Sempre que algo em nosso corpo começa a se esticar, ele começa a doer. Essa é a razão pela qual as pessoas que têm veias varicosas frequentemente experimentam sintomas desagradáveis nas pernas, incluindo dor, latejamento, queimação, peso ou fadiga nas pernas, além de uma coceira intensa sobre as veias dilatadas.
Algumas pessoas acordam com dor nas pernas, tipo câimbra, em decorrência das veias varicosas. Esses sintomas normalmente aparecem quando a pessoa tem que ficar muito tempo de pé ou sentada. Por esta razão as pessoas com profissões que não permitem uma movimentação frequente, notam que suas pernas podem ficar desconfortáveis durante, ou no final, do dia de trabalho e é por isso que deitar e elevar as pernas pode fazer se sentir melhor.
Algumas vezes em alguma área da perna que tenha veia varicosa e que sofre um pequeno trauma, como uma batida, ou após um longo período parado no carro ou no avião ou um período prolongado de descanso, um trombo pode se formar dentro de uma veia varicosa. Isto é chamado de trombose, e, se ocorre em uma veia da superfície, tromboflebite superficial
A veia se torna dura, vermelha e dolorosa. Nesses casos o cirurgião vascular ou flebologista pode indicar o uso de meia elástica de compressão, associado ao uso de medicamentos anti-inflamatórios, anti-coagulantes e movimentação frequente. Raramente pode ser necessário cirurgia.
Outras vezes, a formação de um trombo em uma veia do sistema venoso profundo também pode estar presente. Essa é uma situação muito mais séria e que tem um potencial risco de morte, pois a trombose venosa profunda pode desencadear a fatal embolia pulmonar.
Sempre que ocorrer a situação de suas veias ficarem vermelhas, quentes doloridas ou inchaço nas pernas, você deve procurar atendimento médico.
Em algumas pessoas as veias varicosas podem levar ao dano à pele na área do tornozelo. Devido ao refluxo e ao aumento de pressão nas veias da perna, a pressão no tornozelo, venosa, fica maior ainda. Após muito tempo dessa situação isso desencadeia uma reação em cadeia de eventos que podem resultar em uma mancha na pele, chamada dermatite ocre ou mesmo uma úlcera na parte interna ou externa do tornozelo. Essa inflamação duradoura pode também com o tempo endurecer a pele, causando a chamada dermatofibrose.
Tratando as veias varicosas e prevenindo o fluxo do sangue para baixo, esse processo pode ser interrompido e a úlcera pode ser prevenida, razão pela qual o tratamento cirúrgico da insuficiência venosa previne as complicações futuras. Muitas vezes o aparecimento da macha dermatite ocre é o primeiro sintoma, e o dermatologista vai encaminhar para o cirurgião vascular, pois, para ter êxito no tratamento da mancha é necessário primeiro o tratamento da sua causa, a insuficiência venosa.
 
Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato
* Imagens do banco de imagens: © roblan | Dreamstime.com - Varicose veins

Tags: varizesvenosoveias
Categorias: Medicina

Teleangiectasias e vasinhos

seg, 06/13/2016 - 08:03

Uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens, têm teleangiectasias, que são mais conhecidas como vasinhos. Teleangiectasias não aparecem do nada no nosso corpo. Elas ocorrem pela dilatação de algumas veias que ficam sob a pele, a superfície da pele e que são muito pequenas para serem vistas quando não estão doentes. Quando elas dilatam, elas acabam contendo mais sangue, ficam mais escuras e passam a ser visíveis a olho nu.
As teleangiectasias podem aparecer em vários formatos: pequenos vasinhos, aranhas vasculares ou aglomerados de veias que podem parecer ramos de árvores ou arbustos.
O aparecimento das teleangiectasias está associado a vários fatores:

  • História familiar: se você tem membros da família com teleangiectasias, as chances de você desenvolvê-las também existem.
  • Trauma: lesões de tecidos moles podem desenvolver teleangiectasias na área da perna. Isso pode acontecer como resultado de uma cirurgia ou com um machucado como uma batida por uma bola ou algum objeto duro.
  • Medicamentos: hormônios femininos, como estrogênio e progesterona podem causar teleangiectasias. Os medicamentos mais comuns são os anticoncepcionais orais, terapia de reposição hormonais e drogas para infertilidade.
  • Gravidez: por causa dos níveis de progesterona que ficam muito altos nos nove meses de gravidez, as veias das mulheres estão mais expostas ao efeito prolongado. A progesterona relaxa o músculo da parede venosa permitindo que ela se dilate. Muitas mulheres notam um aumento das teleangiectasias durante a gravidez por esta razão.
  • Ocupação: ficar muito tempo de pé ou muito tempo sentado pode piorar as teleangiectasias. As profissões que estão sujeitas são professores, enfermeiras, aeromoças, cabeleireiros, vendedores, cirurgiões ou qualquer outra profissão que fique de pé ou parado por muito tempo.
  • Doenças: doenças hepáticas, ou seja, do fígado, podem desencadear o aparecimento de teleangiectasias; e, obviamente, a doença insuficiência venosa causa teleangiectasias.

As teleangiectasias podem ser vistas em qualquer parte da perna, ou melhor, do membro inferior, incluindo tornozelo atrás do calcanhar, pé, coxa.
Também existem pessoas que desenvolvem teleangiectasias na face, no tórax, na barriga, nas costas e no braço. Acredita-se que algumas teleangiectasias da face são causadas por uma combinação de exposição solar e inflamação crônica da pele, a rosácea.
Frequentemente veias um pouco maiores e azuis podem ser vistas abaixo ou próximo das teleangiectasias. Essas veias são chamadas de reticulares e elas estão localizadas um pouco mais profundamente do que as teleangiectasias. Em algumas localizações da perna, somente as veias reticulares estarão visíveis sem as teleangiectasias por cima. As veias reticulares podem atuar como nutridoras, ou “raízes”, das teleangiectasias, e o tratamento de uma depende da outra.
Teleangiectasias podem ser uma preocupação puramente estética ou podem ser uma indicação de alguma coisa mais séria que está afetando o seu sistema venoso. Quando muitas teleangiectasias são vistas atrás do joelho ou em volta do seu tornozelo, próximo do maléolo, existe uma grande chance de ter um problema venoso mais grave. Nessas pessoas que possuem veias nesses locais, pode ser necessário a realização de um ultrassom para determinar se existe doença mais grave. O ultrassom vai informar ao flebologista ou ao cirurgião vascular se há insuficiência venosa, ou seja, se há doença venosa responsável pela formação das teleangiectasias.
A presença de teleangiectasias pode indicar a presença de insuficiência venosa, e, raramente, outras doenças.
Muitas pessoas se preocupam que as teleangiectasias e vasinhos irão se tornar veias varicosas. Na verdade tanto as teleangiectasias, quanto as veias varicosas são o mesmo problema, a fraqueza da parede da veia e sua dilatação, mas em veias de calibres diferentes. Dependendo de qual veia é acometida, pode aparecer como veia varicosa, teleangiectasia ou mesmo ambas.
Muito frequentemente você irá notar que as teleangiectasias causam um incômodo estético, causando uma sensação de perda de confiança ou mesmo vergonha de mostrar as pernas. Essa sensação pode limitar as atividades diárias de maneira que você acaba dizendo não para qualquer atividade que tenha que vestir shorts, roupa de praia ou mostrar as pernas.
Algumas vezes as teleangiectasias podem causar desconforto, como a sensação de queimação ou de peso, ou coceira sobre as veias. Esse desconforto é mais frequente quando as teleangiectasias ou as veias reticulares estão na parte de trás do seu joelho. Mas também pode ocorrer em outras localizações.
Todos esses sintomas podem ser melhorados com tratamento conservador, ou seja, clínico, com exercícios ou meias de compressão graduada. Além disso, o uso de sapatos planos ao invés de salto alto, manter um peso estável e saudável e tratar as teleangiectasias, também pode trazer sensação de bem estar nas pernas. 
O tratamento das teleangiectasias também pode fazer a sua perna parecer mais leve e com mais energia.
Em pessoas mais idosas que têm uma grande quantidade de teleangiectasias no pé ou na parte debaixo da perna, a pressão nas veias pode ser muito alta e a parede das veias também pode ser muito fraca. Isso pode levar até à ruptura da veia e sangramento através da pele e frequentemente ocorre quando a pessoa está tomando banho ou acabou de sair do chuveiro, sem nenhum corte aparente na pele ou outro machucado. Isso se chama varicorragia e é considerado uma emergência.
Como a pressão nas veias é muito alta, o sangue pode jorrar muito longe e isso pode ser alarmante. Enquanto o paciente estiver de pé a gravidade vai continuar a trazer mais sangue para essa veia danificada, mantendo a pressão venosa elevada nesse local e o sangramento vai continuar. A melhor coisa a se fazer é deitar, levantar as pernas e apertar firmemente com o dedo na área que está sangrando até que isso pare. Essa veia pode e deve ser tratada para que não sangre novamente e o flebologista ou cirurgião vascular é o médico que vai ajudar a tratar para evitar que isso ocorra novamente.
Se você tem teleangiectasias, você vai continuar a desenvolvê-las durante a sua vida. O tratamento é efetivo para fazer as veias atuais desaparecerem, mas não evita que novas teleangiectasias se formem.
Como as teleangiectasias são veias que não estão saudáveis e como nós temos centenas de milhares de veias, muito mais do que nos vamos precisar, nós podemos ir tratando essas teleangiectasias, na medida em que elas vão se desenvolvendo, sem nenhum dano para a sua circulação.
Algumas pessoas gostam de ter as veias tratadas de uma maneira regular, para manter o aspecto das pernas estáveis. Muitas pessoas fazem isso uma vez por ano para que as pernas fiquem mais claras durante o verão. Enquanto outras pessoas preferem juntar bastantes teleangiectasias ou esperam para que o desconforto comece a ser maior. Não existe certo ou errado, realmente depende de cada um.
Quando não há doença venosa adjacente e fora as teleangiectasias que estão na parte debaixo da perna e do tornozelo, que é uma preocupação médica, o tratamento das teleangiectasias depende única e exclusivamente da sua decisão.
 
Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato
*Imagens: © Apatcha Muensaksorn | Dreamstime.com - Varicose veins on the legs

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Vasinhos são puramente estéticas e não precisam ser tratadas

seg, 06/13/2016 - 08:00

Os chamados popularmente de vasinhos são as teleangiectasias e veias reticulares que podem ser vistos através da pele como veias azuis ou verdes. Como essas veias podem ser vistas superficialmente aparentam ser o problema. Não são.
Essas veias freqüentemente não são o problema em si, são sinais de um outro problema adjacente, a falha da bomba periférica, principal responsável pelo retorno venoso. Com a falha da musculatura os efeitos disso serão percebidos e com o tempo piorarão.
Não adianta tratar somente a conseqüência, é necessário tratar a causa, no caso a falha da bomba periférica. Por isso a necessidade de exames especializados como ultra-som doppler e pletismografia.
O tratamento correto vai retirar as veias varicosas, mas também fará a bomba periférica trabalhar novamente. Reduzindo a probabilidade de novas veias varicosas, dores, eczema de estase (coceira e descamação: a pele parece seca), lipodermatoesclerose (endurecimento da pele) e úlceras (feridas crônicas).

varizes
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O Sistema Circulatório

ter, 05/17/2016 - 06:49

Nosso sistema circulatório tem o importante trabalho de bombear o sangue através do nosso corpo. As artérias e veias que fazem parte do sistema circulatório, existem nas suas mais variadas formas, tamanhos e comprimentos. Alguns desses vasos são tão pequenos que é impossível vê-los a olho nu, enquanto outros são tão grandes quanto o diâmetro de um dedo.

Nosso sistema circulatório é composto de duas partes separadas: as artérias, que levam o sangue contendo oxigênio e nutrientes do coração para todos os tecidos do nosso corpo e as veias, que trazem o sangue “usado” de volta para o coração. Um terceiro sistema, o linfático, que não carrega sangue é responsável pela drenagem dos restos produzidos pela células através do liquido chamado linfa.

Enquanto as artérias são bombeadas pelo coração e a gravidade ajuda a chegar na periferia, nossas veias precisam de energia para serem bombeadas de volta para o coração. Essa força de bombeamento tem que vencer a gravidade. As veias conseguem fazer esse difícil trabalho porque elas estão dispostas em duas camadas e cada camada contribui com uma maneira diferente, movimentando o sangue de volta para cima.

Nossas veias profundas passam por dentro de nossos músculos e toda a vez que nós comprimimos ou contraímos a musculatura da perna essas veias são espremidas e o sangue acaba sendo direcionado para cima, assim como uma pasta de dente. E como todas as nossas veias têm válvulas dentro delas, esse fluxo sempre vai em uma direção só, ou seja, da perna para o coração.

Enquanto nosso sistema venoso profundo bombeia o sangue, nosso sistema venoso superficial coleta o sangue dos tecidos superficiais. Essas veias superficiais estão dispostas em uma rede de milhares de vasos que estão distribuídos na superfície de nosso corpo e nos tecidos de nosso corpo.

Quando o sistema venoso profundo bombeia o sangue de volta para cima, o sistema venoso superficial coleta mais sangue da nossa pele e tecidos superficiais, movendo para o sistema venoso profundo. Aí, com a contração muscular, esse sangue volta para cima.

A maior parte das vezes esse sistema funciona bem, mas às vezes pode não funcionar. E isso acontece quando a parede dos vasos se dilata afastando as abas das válvulas, que é uma condição genética, hereditária, mas também pode acontecer na gravidez ou com o uso de algumas medicações ou com a idade. E quando essas válvulas não funcionam, o sangue não consegue voltar por nossas veias. Esse fluxo reverso, ou seja, esse sangue que vai na direção contrária, é chamado de refluxo.

Quando o refluxo acontece nas nossas veias, o sangue passa a se acumular em uma região das nossas pernas, causando inchaço. Essas válvulas unidirecionais, quando são danificadas, ou por trauma ou por outros fatores, permite que ocorra o refluxo, causando também o inchaço das pernas.

Um trombo ou coágulo, que pode ocorrer dentro de um sistema venoso profundo, é uma trombose e dificulta a passagem do sangue por ele, também causando danos nessas veias e válvulas. Isso acaba acarretando também o represamento de sangue abaixo do trombo. Quando ocorre um represamento sanguíneo, vários problemas podem acontecer: muitas pessoas sentem desconforto na perna, como dor, cãibra, cansaço, peso. E algumas pessoas desenvolvem sinais visíveis de doença venosa, como as veias em formato de aranha (teleangiectasias, reticulares), como os vasinhos, as veias varicosas e as úlceras. O represamento do sangue das pernas também pode formar os trombos, que seria a trombose venosa profunda.

 

Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato

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Aneurisma de Artéria Esplênica

seg, 05/16/2016 - 16:38

O Aneurisma de artéria esplênica consiste na dilatação da artéria que nutre o baço. Pode ocorrer por diversas causas associadas, incluindo a exposição ao hormonio feminino. Por isso, a frequencia é maior nas mulheres do que nos homens. Outras doenças que podem contribuir são a fibrodisplasia, a aterosclerose, a pancreatite a poliarterite nodosa e o trauma. O risco de ruptura é de 10%, porém em gestantes consiste em 20 a 50% dos aneurismas viscerais rotos. Quando a ruptura ocorre na gestação a mortalidade materna é de 70% e fetal de 75%. A ruptura é catastrófica, com 36% de mortalidade. Muitos não apresentam sintoma nenhum e são achados em exames.
Existem vários tratamentos, que devem ser avaliados pelo seu cirurgião vascular e endovascular.

  • Observação e acompanhamento
  • Correção por cirurgia aberta
  • Correçao por cirurgia endovascular

E isso depende do quê?

  • Do tamanho
  • Da localização
  • Dos riscos e comorbidades
  • Do tipo
  • Da forma (sacular, fusiforme)

Por isso é essencial o acompanhamento com o especialista: o cirurgião vascular.

Tags: aneurismavisceral
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Algumas dúvidas frequentes sobre varizes.

qua, 03/23/2016 - 13:03

O que são varizes?

Varizes são veias dilatadas e tortuosas visíveis a olho nú nos membros inferiores. Se não tiver uma dessas características, não pode ser considerada uma veia varicosa.

 

Quais são as causas?

Dividimos as varizes em duas categorias, as primárias e as secundárias. As primárias são decorrentes da genética e da hereditariedade, enquanto que as secundárias ocorrem devido a alguma outra doença ou condição médica, como por exemplo uma trombose venosa prévia ou uma fístula arteriovenosa que é uma comunicação anormal entre as artérias e veias. 

 

Quem pode sofrer com esse problema?

Todos estão sujeitos à essa doença, mas quanto mais fatores de risco, maior a probabilidade de ocorrer. Um fator importante, por exemplo, é a idade. Quanto mais idade, mais provavel ter varizes. Crianças é bem mais raro, pois depende de alterações congênitas infrequentes. 

 

E em qual idade?

As varizes primárias começam a aparecer mais frequentemente na 2 e na 3 década de vida, enquanto que as varizes secundárias iniciam mais tardiamente na vida, em torno da 5 década de vida.

 

Fatores genéticos estão ligados a elas?

Sim, muito, pois é um defeito genético mesenquimatoso. Veja que interessante, quando pai e mãe apresentam a doença, a chance do filho ou filha herdar é de 90%. Quando pai ou mãe têm varizes, o risco vai de 25% a 62%. Mas, mesmo quando nenhum dos dois têm varizes, ainda há uma chance de 20%.

 

Quais são os fatores de risco?

Os Fatores desencadeantes são Idade, Gravidez, Hormônios (anticoncepcional, reposição hormonal) e Obesidade. Profissão e  Alterações Posturais são fatores agravantes e o fator predisponente principal é a hereditariedade, encontrada em 84% dos casos.

 

Quais são os sintomas?

Os principais sintomas são dor, cansaço e sensação de peso na perna. Algumas pessoas relatam um desconforto, ardor, prurido ou coceira, formigamento, inchaço e cãimbras. Obviamente, como as varizes são visíveis a olho nú, o fato de ver as veias varicosas também é um sintoma.

 

Existe tratamento?

Sim, existem vários tratamentos. É uma doença benigna e muito frequente, de modo que é um assunto muito estudado pela medicina atualmente. Os tratamentos visam a retirada ou fechamento das veias doentes. Infelizmente não há tratamento gênico. A genética continua influenciando nas veias que sobram. Normalmente não há um procedimento que resolve todo o problema venoso, frequentemente temos que criar uma estratégia de tratamento, que envolve alguns procedimentos.

 

Se sim, qual?

Costumo dividir em três categorias: tratamento clínico, escleroterapia e cirurgia. As diversas técnicas que existem encaixam sempre em uma delas.

O tratamento clínico consiste basicamente no uso da meia elástica. Os medicamentos orais são sintomáticos mas não resolvem o problema, enquanto pomadas e cremes tópicos também não passam de sintomáticos na sua maioria.

Escleroteapia é um conjunto de técnicas que visam o fechamento do vaso por intermédio da injeção de alguma substância, do uso do laser ou radiofrequência. Aqui existem escleroterapias muito potentes como a espuma de polidocanol, que consegue fechar vasos grossos, mas com grandes riscos, e escleroterapias mais amenas, que fecham vasos finos e médios, mas com menos riscos. A escolha da técnica deve sempre ser feita em conjunto com cirurgião vascular habilitado. Esse é um procedimento exclusivamente médico, com potencial de causar danos como feridas, úlceras e manchas. Não arrisque fazendo com quem não é habilitado.

 

 

A atividade física tem alguma relação de melhora ou de evitar esse problema?

A atividade física é muito importante para evitar os fatores de risco como obesidade e além disso fortalece a musculatura da panturrilha, considerada o coração periférico, que bombeia o sangue de volta para cima. 

 

Autor: Dr Alexandre Amato

Tags: varizesvenosofaq
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Varizes internas

ter, 02/02/2016 - 10:50

O sistema venoso das pernas compreende 3 sistemas:

  • o sistema venoso superficial,
  • o sistema venoso profundo
  • e o sistema perfuro-comunicante (ou perfurantes). 

Quando veias do sistema venoso superficial dilatam e passam a transportar o sangue no sentido errado, por ser superficial, formam as varizes, que são veias dilatadas, tortuosas e visíveis a olho nú. São as varizes que todo mundo conhece e os vasinhos.
Quando o sistema perfuro comunicante está doente, este acaba comprometendo o sistema venoso superficial também e muitas vezes traz sintomas como 
Mas, quando o sistema venoso profundo está comprometido, essas veias não são visíveis. E o sistema venoso profundo (interno) é responsável por até 90% do retorno venoso. Quando há insuficiência venosa profunda, essas veias "internas" passam a levar o sangue no sentido errado, causando os sintomas como inchaço, coceira, manchas e até úlceras. O termo "varizes internas" apesar de incorreto, por sugerir uma veia dilatada e visivel, mas profunda, acaba significando que o sistema venoso profundo está doente. Frequentemente a insuficiência venosa profunda, ou "varizes internas" é mais grave que as varizes superficiais.
Obviamente pode haver comprometimento simultâneo dos sistemas venosos: É possível ter veias superficiais dilatadas, ou seja varizes, associado à insuficiência do sistema venoso profundo, ou interno.
Por isso é sempre muito importante ser avaliado por cirurgião vascular. O tratamento superficial das varizes às vezes esconde um problema maior por trás.

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Entrevista sobre estenose de carótida

ter, 01/26/2016 - 11:46
Estenose de Carótida

Entrevista com o Prof. Dr. Alexandre Amato no programa "Gente que Fala" sobre estenose de carótida, doença frequentemente associada ao derrame (AVC).

O questionário que o Dr comenta sobre prevenção pode ser respondido aqui.

 

 

 

Zancopé: Alo amigos, bem vindos ao “gente que fala” sempre ao vivo de 12:00 horas às 13:00 horas pela rádio Trianon AM 740 –SP, Radio Universal AM – 810 Santos, ALLTV www.alltv.com.br com representação 18 :00 horas, também TV Guarulhos canal 20 UHD, canal 13 da NET em Guarulhos 23>30 horas, acesse nosso blog, conheça os nossos colunistas e colaboradores, gentequefala.com.br, nossa fanpage facebook/programagentequefala, para falar no chat, no site da ALL TV whatsapp 97401-2235 e o telefone de São Pulo 11-5052-6622, Nesta edição de “gente que fala” conosco Fábio Martins de França, prazer  tê-lo aqui Fábio.

Fabio: Prazer.

Zancopé: Você é especialista em ginastica para o cérebro, é correto isso?

Fabio: Correto isso mesmo. Por incrível que pareça ginástica para o cérebro é uma ginastica que nós podemos executar, onde que nós podemos melhorar algumas habilidades cognitivas, que é o foco, memória...

Zancopé:Mais próximo, por favor.

Fabio: ...e também a parte de raciocínio logico.

Zancopé: Porque o cérebro dele não é muito bom

Fabio: Melhorou agora?

Zancopé: Se falar muito longe o cérebro do microfone você vai ter que exercitá-lo mui.

Fabio: Está ótimo.

Zancopé: também conosco cirurgião vascular Alexandre Amato, prazer atê-lo aqui Alexandre.

Dr Alexandre Amato: Muito prazer, obrigado pelo convite.

Zancopé: Tua especialidade cirurgião vascular.

Dr Alexandre Amato: Cirurgia vascular, endovascular e estou aqui para responder as perguntas sobre acidente vascular cerebral, um outro foco, não o lado da neurologia.

Zancopé: Então você socorre quando a ginastica dele não dá certo?

Fabio: É, ele tem que atuar antes.

Zancopé: Por isso que eu digo, quando a ginastica não dá certo você entra.

Fabio: Exatamente ou quando a ginástica não ajuda mais, já passou do ponto.

Zancopé: você é do Amato Instituto de Medicina Avançada, é isso?

Dr Alexandre Amato: Isso, isso.

Zancopé: Ok. Também conosco a nutricionista Carolina Arbache, prazer tê-la aqui Carolina.

Carolina: O prazer é meu.

Zancopé: Você é nutricionista esportiva?

Carolina: Isso, nutricionista esportiva e clínica.

Zancopé: Mas próximo, meu bem.

Fabio: Nutricionista esportiva e nutricionista clínica funcional.

Zancopé: Qual é a diferença, porque houve uma correção aqui, apenas apresenta-la como nutricionista clínica e depois era nutricionista esportiva.

Carolina: na realidade nutricionista esportiva é pela minha especialização que eu sou especializada em nutrição esportiva e também não coloquei clínica porque eu não atuo em consultórios, clínicas, eu atuo na Natuie que é uma empresa, então essa diferença.

Zancopé: Perfeito. E conosco a enfermeira Karina de Araújo, prazer em tê-la aqui Karina.

Karina:  Prazer.

Zancopé: Mais próximo, por favor.

Karina: Prazer

Zancopé: Você não está acreditando que ele não te ouve. A tua especialidade, controle de infecção diretos aos profissionais, é isso?

Fabio: Não, na verdade eu enfermeira e a minha especialização é controle de infecção relacionada a assistência à saúde, dentro da minha especialização a gente cuida também da saúde do profissional que corre o risco de adquirir uma doença, uma infecção através da assistência, do seu cuidado. 

Zancopé: E a Sol Millenium?

Karina: A Sol Millenium é uma empresa que ela fornece dispositivos de segurança de proteção para o profissional na área da saúde, é uma multinacional, é a empresa que eu trabalho atualmente

Zancopé: Perfeito. Doutor Alexandra Amato, ataque isquêmico, qual é o, o senhor esclareça, este é um primeiro passo, este é um segundo passo? Porque tudo o que se refere a ataque isquêmico, AVC, alguma coisa assim, eu nem sei se AVC é o termo correto que eu possa usar, mas assusta.

Dr Alexandre Amato: Assusta, assusta todo mundo, qualquer problema no cérebro... por isso que existe o treinamento ai para tentar evitar, mas a AIT é o Acidente Isquêmico Transitório e o AVC é Acidente Vascular Cerebral, o correto hoje em dia é Acidente Encefálico, mas vamos falar o AVC que todo mundo conhece. A doença e o problema, normalmente são os mesmos, a única coisa que muda é a duração, o ataque isquêmico transitório dura por um dia no máximo, enquanto um AVC pode perdurar por mais tempo.

Zancopé: O que é essa duração de um dia?

Dr Alexandre Amato: É uma questão e definição, vamos pensar assim, quem teve um AIT é um aviso de que uma coisa bem grave está acontecendo, é uma chance de pesquisar e tentar tratar a doença de causa, quem tem um AVC vai ficar com uma sequela, essa sequela pode ser pequena, maior, quem tem um AIT mesmo que seja duração de um dia alguma lesão já se formou no cérebro, alguma coisa vai ser visível no exame de imagem, em algum exame subsidiário que vai mostrar que a lesão ainda está lá, mesmo não tendo sintoma depois de 24 horas.

Zancopé: AVC é uma siglas bastante conhecida por todos nós ai o senhor fala sobre AIT, não é?

Dr Alexandre Amato: Isso.

Zancopé: Quais são os sintomas?

Fabio: Bom, sintoma pode ter um desvio de rima é o desvio do rosto, desvio de língua, dificuldade de fala, dificuldade de movimentação, esses são os mais comuns, mas isso quando já aconteceu quinado a lesão já aconteceu, acho que é interessante a gente comentar sobre a prevenção quem são as pessoas que estão propensas para ter um AVC, um AIT, alguém problema vascular extra cerebral. Então, quando eu falo... porque um vascular está aqui falando e não um neurologista e não um neurocirurgião? Porque as carótidas são as artérias que irrigam o cérebro, temos as carótidas, temos as vertebrais e uma lesão dessa artéria pode levar ao derrame. Então, quando identifica essa lesão cedo, trata essa lesão cedo, a gente pode evitar os problemas maiores, quem são essas pessoas? São as pessoas que tem basicamente aterosclerose, aterosclerose é uma doença que todo já ouvir falar, deve ter sido comentado aqui no programa várias vezes, principalmente por cardiologistas e acredito que todo mundo já ouviu pelo menos de passagem quais são os fatores principais, tabagismo, fumo, que graças a Deus nós não somos um país na maioria tão fumante assim, hipertensão, diabetes, doença coronariana, todos esses são fatores eu elevam a aterosclerose ou são causados pela aterosclerose, quando a gente identifica tudo isso a gente tem que fazer um rastreamento de doença carotídea.

Zancopé: Ai é a prevenção, a prevenção seria essa?

Dr Alexandre Amato: Prevenção é para não chegar no cirurgião vascular. Com cardiologista, com o clínico, com o geriatra, com seu médico de confiança, à partir de determinada idade, começa a ganhar idade tem os fatores de risco, a gente tem que investigar.

Zancopé: Quando o senhor fala idade, esses fatores de risco começam a...

Dr Alexandre Amato: A se somar.

Zancopé: ... a se somar à partir de quando, tem um limite para isso, não tem?

Dr Alexandre Amato: Tem. Para quem vários fatores de risco agregados a gente já começa...

Zancopé: Você falou ai, diabetes, hipertensão, tabagismo...

Dr Alexandre Amato: Paciente que fuma, tem pressão alta à partir de 50 anos a gente já começa a ficar preocupado.

Zancopé: Uma idade seria essa 50 anos já é...

Fabio: Exato. Para quem não tem os fatores de risco a gente começa a se preocupar acima de 60 - 65 anos. Mas eu fiz uma coisa muito interessante que eu fiz um questionário para investigar quem precisa fazer rastreamento ou não está on-line, posso passar o site?

Zancopé: Por favor.

Dr Alexandre Amato: É vascular.pro/carótida sem o assento.

Zancopé: Repete, por favor.

Dr Alexandre Amato: vascular.pro/carótida sem o assento, é um questionário a pessoa responde lá algumas perguntinha e vai calcular o seu grau de risco.

Zancopé: Tem uma perguntinha aqui, que o senhor possa lembrar agora?

Dr Alexandre Amato: A principal é a idade.

Zancopé: Sim.

Dr Alexandre Amato: A idade, o paciente muito jovem não tem que fazer o rastreamento, quem não tem nenhum fator de risco e é jovem não precisa se preocupar, mas são perguntas bem focadas nisso que eu já falei, se já teve algum evento cardíaco, se tem pressão alta, se fuma, idade, e vai respondendo tudo isso vai somando pontos, quanto maior o ponto não quer dizer que tem a doença, pode não ter, mas que tem que fazer o rastreamento para evitar tem.

Zancopé: Deixa eu aproveitar o assunto, Fabio você que é especialista em ginastica para o cérebro, esse prevenção passa por você?

Fabio: Nós podemos trabalhar em dois momentos diferente, a gente pode trabalhar em pessoas que tiveram o AVC então, dependendo da lesão cerebral que a pessoa teve, talvez ela perca a parte de fala, coordenação motora fina então, na ginastica cerebral nós utilizamos algumas ferramentas...

Zancopé: O que é coordenação motora fina?

Fabio: É capacidade de você desenhar, pintar, segurar alguma coisa com a mão você precisa de coordenação motora fina então, por exemplo, para você conseguir dirigir para segurar o volante é coordenação motora fina então, dependendo da lesão que pessoa sobre com o AVC ela perde a coordenação motora fina. Nós temos algumas ferramentas conforme a pessoa vai praticando ela começa a retomar a coordenação motora fina então a gente trabalha em conjunto ai com o fisioterapeutas e também com neurologistas para que a gente possa definir qual é o melhor conjunto de ferramentas para atender as necessidades especificas da pessoa que teve o AVC. Então, a gente trabalha no momento depois e a gente também trabalha num primeiro momento na prevenção então, a única coisa que eu consigo trabalhar com o cliente lá são atividades preventivas então, sempre a gente trabalha para que a pessoa faça atividade física, tenha uma alimentação saudável e também faça atividades de estimulo cerebral. Então, eu entro diretamente no estimulo cerebral.

Zancopé: Exercício por si só, o exercício desses de academias que ´e mais fácil de ser identificado, é um princípio?

Fabio: Correto. O que a gente recomenda o exercício? A gente recomenda três tipos diferente de exercício, o cardiovascular então a pessoa andar com uma certa intensidade ou correr ou nadar, nós também recomendamos que a pessoa faça pelo menos 3 vezes por semana...

Zancopé: Andar ou correr?

Fabio: Correr. Correr, correr é o melhor, às vezes a pessoa ela está muito acima do peso então ela precisa ir consultar o médico para ver qual que é a melhor atividade, a segunda coisa seria musculação no mínimo três vezes por semana e a terceira coisa é atividade de equilíbrio então, yoga ou pilates. Então, é necessária que a pessoa faça essas atividades físicas, é necessário que a pessoa tenha uma alimentação saudável então, o que a gente vai pensar em alimentação saudável? Que a pessoa diminua fritura, produtos industrializados, coma mais verduras, frutas, beba bastante água, então o consumo de água é extremamente importante e também é importante que a pessoa tenha o que? Atividades onde que tenha estimulo cerebral então, durante a nossa infância e adolescência a maior parte do nosso tempo a gente passa estudando, então durante esse período a gente cria duas cosias uma reserva cerebral e uma reserva cognitiva, o que é reserva cerebral? Quando eu aprendo algo novo eu começo a criar novas conexões entre os meus neurônios então, imaginando que o neurônio é o local onde que eu armazeno as informações e as sinapses que é criado à partir do conhecimento de novidade, elas são formadas então, quanto mais conhecimento novo eu adquiro maior quantidade sinapses que eu tenho então isso aumenta a minha reserva cerebral e a reserva cognitiva é o próprio conhecimento em si, então eu tenho duas coisas ai que nós criamos durante a nossa infância e juventude. O que ocorre hoje em dia? Infelizmente a tecnologia ela acaba evitando que nós tenhamos alguma práticas que nós tínhamos no passado então, por exemplo, no passado você sabia de cor uns 20 telefones, quanto você sabe hoje de cor? Uns dois, três?

Zancopé: Os que estão na minha agenda do celular, nem o de casa eu sei.

Fabio: Então, por exemplo, antigamente a gente tinha prática da memoraria então a gente memorizava números, outra coisa antigamente não tinha mapas digitais, GPS ou alguma ferramentas que nós temos no nosso smartphone, a gente treinava a nossa memória a o que? Visual, como que nós chegávamos nos locais. Então, eram algumas coisas que n´só estimulávamos o nosso cérebro, que hoje a gente não tem esse estimula tão forte.

Zancopé: Tem uma doença que é antiga, mas recentemente ela está no vocabulário de todo mundo que é o Alzheimer.

Fabio: Sim.

Zancopé: Então, quando se começou a...antigamente a gente ficava caduco, vocês não são dessa época, mas falava fulano” está caduco” então, quando se começou a diagnosticar a coisa de 50 anos, o que eu entendo que é pouco tempo Alzheimer e tal, recentemente se falava em exercícios para evitar ou prolongar ou sei lá, adiar esse tipo de doença é palavra cruzada e agora está nas livrarias livros de colorir para os mais... para os da minha idade.

Dr Alexandre Amato: Aplicativos no iphone tem um monte de exercício.

Zancopé: Tem?

Dr Alexandre Amato: Tem, tem é até interessante.

Zancopé: Porque eu não cheguei na idade do iphone então....

Dr Alexandre Amato: É complicado pegar alguém com Alzheimer, primeiro você vai ter que explicar como liga o iphone, como usa, para depois chegar no jogo, deve ter uma certa complicação aí. Mas eu queria fazer uma pergunta, porque semana passada ou retrasada foi bem próximo mesmo, eu li um artigo sobre um desses aplicativos e que falaram que ele não estava sendo tão honesto com os resultados, eu não sei se você chegou a ler, deve ter chegado, porque isso é exatamente a sua área.

Fabio: Eu li, é uma empresa norte americana que ela tem um aplicativo que é muito divulgado, o que eles traçavam? Então, eles vendiam o aplicativo com a correlação direta, que uma vez que a pessoa fizesse utilização do aplicativo ela poderia evitar o Alzheimer então essa era a alegação que a empresa tinha, inclusive o governo americano multou essa empresa em U$ 2 milhões por causa da propaganda que era enganosa. O que acontece? Existem vários estudos onde eles mostram uma correlação então, pessoa que exercitam o cérebro tem uma menor incidência no caso de Alzheimer, não existe nenhum estudo que mostra a ligação especifica.

Dr Alexandre Amato: É aquela história de uma taça de vinho evita aterosclerose, todo mundo quer que isso seja verdade, mas a ligação direta ninguém conseguiu fazer ainda, esse é um problema de pesquisa cientifica, para fazer uma coisa que prova isso você tem que acompanhar a pessoa durante a sua vida toda então, é tecnicamente inviável.

Dr Alexandre Amato: Mas Zancopé, só voltando para a sua parte. Eu acho que hoje em dia o Alzheimer ele está muito mais na mídia, primeiro porque a população envelheceu então, qual que é a perspectiva da ONS, é que à partir de 2025 a cada um minuto no mundo seja identificado um novo caso de Alzheimer então, a cada minuto vai ter no mundo a identificação de um novo caso de Alzheimer e o Alzheimer, por enquanto não tem nenhuma cura, o que tem são fatores de risco então, o que é um fator de risco para a pessoa ter Alzheimer? É diabetes, obesidade ou sofrer uma lesão no cérebro então, eu tenho um fator de risco e eu tenho que?  Prevenção, a única coisa que a gente pode fazer é prevenção então, a prevenção são 6 pilares que estão relacionados a prevenção do Alzheimer, atividade física, alimentação saudável, estimulo cerebral, convívio social, gestão do estresse e o sono, esses são os pilares, se eu praticar esses pilares a incidência de Alzheimer ela é muito menor em relação as outras pessoas.

Zancopé: Só para esclarecer melhor, esses dois itens que eu citei, pintura, colorir e palavras cruzadas.

Fabio: é o estimulo cerebral.

Zancopé: Mas tem realmente alguma eficiência isso? Porque de repente é só para vender livrinho de palavra cruzada.

Fabio: O que acontece? É identificado que pessoas que tem uma maior reserva cognitiva então você fazendo palavra cruzada ou fazendo pintura, você aumenta a sua reserva cognitiva então, é o conhecimento. O Alzheimer como é que ele funciona no nosso cérebro? Ele começa a formar placas e essas placas elas começam a destruir essa sinapses que são as interligações até a destruição dos neurônios então, quanto mais informação eu tenho o efeito do Alzheimer ele doma mais tempo para ocorrer na pessoa, talvez você consiga ter os primeiros sintomas depois de 4 ou 8 anos depende ai da sua reserva cognitiva, essa é primeira coisa, a segunda coisa é quando a pessoa ela é acometida pela doença ela demora mais tempo para passar de uma fase para outra, porque a sua reserva cognitiva ela é maior. Imagina uma cidade que ela tem várias ruas e avenidas quanto maior quantidade de ruas e avenidas você mais tem mais caminhos possíveis para chegar do ponto ‘A’ ao ponto ‘B’ então, se você tem menos ruas, menos caminhos possíveis então, essa que é a característica, por isso que é importante eu ter uma reserva cognitiva maior. Naquele filme que a atriz ganhou o Oscar dois anos atrás “para sempre Alice” era isso, era uma professora universitária onde ele teve Alzheimer, mas para que ela seja acometida pelo sintomas demorou um pouco mais, porque ela era uma pessoa que era intelectualmente ativa, fazia exercício físico no filme aparece ela correndo então, você tem algumas características ali que a gente consegue observar.

Zancopé: Carolina, tanto o Fabio, quanto o doutor Alexandre citaram alimentação, nós estamos numa época que se fala muito de alimentação, mas unindo os dois assuntos deles aqui até que ponto eles falam em alimentação saudável?

Carolina: Acho que ali deu para exemplificar bem que alimentação é uma das bases de prevenção de muitas doenças.

Zancopé: todo mundo fala de alimentação saudável, ai saudável é tudo que é bom você não pode comer.

Carolina: não, não é assim. Acho que a primeiro passo para ter uma... que agora começo de ano querendo... cheio de resoluções, “ah, vou mudar de vida, vou ser saudável, agora eu vou me alimentar bem” e ai a pessoa já pensa “bom, então vou ter que cortar tudo o que for gostoso, tudo o que eu gosto eu corto” e já tem essa característica de encarar uma alimentação saudável como algo ruim ou que não é prazeroso.

Zancopé: O que o doutor Alexandre falou sobre a taça de vinho, isso é um mito é verdadeiro, o cara tem uma taça desse tamanho.

Carolina: não, é verdadeiro, o problema é que as pessoas...

Zancopé: O tamanho da taça...

Carolina: É, é o tamanho da taça, eles querem

Dr Alexandre Amato: Junta todas para tomar um dia só.

Carolina: Ai não funciona, não funciona. Mas é verdade, inclusive tem um estudo famoso, talvez vocês já conheçam que mostra que a relação entre o consumo de álcool e o vinho é uma opção mais saudável por conta porque além do álcool tem as propriedades antioxidantes das uvas e tudo mais, se você consumir uma dose, não é uma garrafa, uma dose por dia é melhor do que quem não consome nada, o problema que é muito difícil, você conhece alguém que toma uma dose só? Ou pessoa bebe, bebe, de verdade ou não toma nada então, acaba sendo melhor a pessoa que consome uma dose do que ninguém, quem bebe muito que é o mais comum ai é muito pior do que não tomar nada ou tomar só uma taça.

Zancopé: E nesse início de ano, nós estamos aqui no dia 13, as pessoas tem uma série de atitudes que deveriam tomar para limpar tudo o que conseguiu, tem alguém segredo nisso? Se tiver você tem que me contar urgente.

Carolina: O primeiro acho que é... a primeira mudança para ser duradoura não pode ser muito drástica, tem que ser lenta e aos poucos.

Zancopé: Nós temos uma rotina, como é que nós alteramos esta rotina de uma hora para outra? Porque nós saímos de um período muito bom, Natal, Ano Novo, Réveillon, aquele negócio todo e ai é uma alteração de rotina drástica.

Carolina: Sim, um período um pouco turbulento. Eu acho que o problema, a pessoa não pode querer mudar e resolver mudar de uma hora par a outra e começar a fazer uma dieta muito drástica, que é o que acontece, passou festas, férias, o pessoal quer emagrecer para o Carnaval.

Zancopé: Mas não dá nem tempo.

Carolina: não dá tempo, primeiro porque você não leva um mês para ganhar 10 quilos, também não vai ser em um mês que você vai perder esses 10 quilos, é algo que vai acontecendo ao longo do tempo. Então, acho que a primeira coisa é não colocar uma data assim, a pessoa não tem que emagrecer ou mudar de vida para uma festa ou para um carnaval, para um acontecimento daqui um mês, tem que ser algo para o resto da vida.

Zancopé: Como é essa rotina, eu tenho que pôr lá na geladeira uma relação?

Carolina: É pode ser uma tática. Tem que alteando aos poucos, primeiro identificar os problemas maiores, então de repente uma pessoa que bebe muito então, vamos ver como vai diminuir.

Zancopé: Vou ter que usar o Fabio para não chegar no doutor Alexandre.

Carolina: É, com certeza.

Zancopé: Vou ter que me socorrer ao Fabio...

Dr Alexandre Amato: Eu queria perguntar se é verdade, se a gente começar a jantar em prato de sobremesa ajuda ou não?

Zancopé: É um prato menor, pode ajudar.

Dr Alexandre Amato: Que você engana seu cérebro...

Zancopé: Depende de quantos pratos de sobremesa você vai usar para enganar o cérebro, não seria isso?

Carolina: É, são várias dicas que podem parecer bobas, mas que trazem efeito e traçando metas palpáveis e que sejam possíveis. Se você tem uma alimentação péssima, aquela pessoa que acorda tomando refrigerante com bolo...

Zancopé: Isso é bom.

Carolina: Claro, que não vai ser do dia para noite que ela vai ter uma alimentação perfeita, sem açúcar, super saudável, tem que ser aos poucos, até porque a chance dessa pessoa fazer no máximo uma semana e desistir querer voltar para o bolo com refrigerante vai ser maior. Então, tem que ir adotando hábitos saudáveis aos poucos. Alimentação é algo meio complexo porque envolve a parte social, envolve muito o psicológico então tem que ser aos poucos e também para a pessoa não ter essa sensação de que tudo o que eu quero, tudo o que gosto eu não posso comer e ai ela fica, tudo que é bom é proibido, muita vida agora é sem graça, porque eu estou de dieta é bem assim, eu não mais ser feliz, exatamente.

Dr Alexandre Amato: Acho que a palavra é essa, não é dieta, é reeducação alimentar, se você fica pensando que está de dieta tem um dia final, um dia vai acabar, reeducação não é para o fim da vida.

Carolina: É para o fim da vida.

Zancopé: Karina, você que é enfermeira especialista em controle de infecção, profissionais de saúde acho que estão mais sujeitos, mais vulneráveis seria isso?

Karina: Então, hoje o tema que eu venho trazer é um tema muito importante e sério, é que os profissionais da saúde eles estão ali para reestabelecer a saúde de vários pacientes então, eles estão para cuidar e ter um paciente saudável, só que esse profissional hoje, ele está adoecendo na linha frente, então ao invés de cuidar você tem uma pessoa doente cuidando de uma outra pessoa que está doente. Então, hoje em diversos hospitais a Organização Mundial da Saúde, ela diz o que? Que a gente tem 33 milhões de profissionais da saúde e desses 33 milhões, 3 milhões passam por acidentes com agulhas contaminadas por ano, que é um número bem significativo, mas a gente tem diversos estudos que os acidentes 91 por cento são subnotificados então se a gente pegar que tem 3 milhões notificados e que 91 por cento não são notificados, a gente tem muito acidente, a gente tem mais acidente do que a quantidade de profissionais que a gente tem na linha de frente hoje. E o acidente com perfuro cortante, vamos supor que eu Karina enfermeira eu vou atender um paciente fazer uma injeção (ininteligível) uma benzetacil que dói bastante, e ai eu tiro a agulha e me perfuro em seguida, eu tenho risco de contrair HIV, Hepatite, mais de 20 patógenas que são transmitidas pelo sangue. Então, o profissional ele pode ter o adoecimento pelo patógeno, mas também tem o transtorno emocional dele, porque ele não sabe se ele vai adquirir uma doença que vai mudar para a vida inteira os hábitos dele. Então, eu venho falar um pouquinho desse tema que é muito importante.

Zancopé: Vou aproveitar, me permita doutor Alexandre que está aqui, mas é...

Dr Alexandre Amato: Sendo um testemunho.

Zancopé: Mas eu imagino que se eu preciso dos trabalhos do doutor Alexandre, ele tem o cuidado de se proteger para exercer a...

Dr Alexandre Amato: O cuidado existe, só que existem várias variáveis que às vezes atrapalham. Então, eu vou contar época da residência que eu acho que é onde as coisas mais acontecem, mas faz mais de década atrás. Mas na época da residência a gente trabalha demais, a carga horaria é insana a ponto, teve um dia, um dia não, forma mais, foram 72 horas de plantão seguidos, não era rotina, rotina eram 36 – 48 horas com certeza então, se você entra na cirurgia depois de 48 horas de trabalho, esperar que tenha os mesmos cuidados é quase que impossível. Eu sofri vários acidentes com perfuro cortante, principalmente na época de residência, graças a Deus não aconteceu nada. E a subnotificação é importantíssima, porque imagina você estar 48 horas de plantão, entra numa cirurgia, perfura o dedo ai você vai falar com deve falar e descobre o protocolo de aviso de um acidente com perfuro cortante, que é uma coisa insana, você vai gastar mais umas 12 horas indo fazer exame, avisando todo mundo que tem que avisar. Então, eu subnotifiquei os acidentes da minha época com certeza absoluta, é um problema enorme. E tem outra coisa também, a gente está falando só de perfuro cortante, mas eu trabalho com raio x então, com a fluoroscopia que é um equipamento que emite raio x numa dose altíssima e esse controle também tem que ser feito. Tem um cirurgião americano recentemente que teve um tumor cerebral por causa do raio x que ele usou durante a vida toda então, imagine, ele salvou centenas ou mais, milhares de vidas fazendo isso e ele acabou adquirindo uma doença diretamente relacionada ao trabalho dele.

Zancopé: Mas Karina, você que é uma área especifica tua enfermagem, como se proteger, como os teus colegas de profissão podem fazer uma prevenção?

Karina: Isso. O acidente com perfuro cortante ele é multifatorial então, ele tem várias coisas que podem...

Zancopé: Perfuro cortante uma seringa, um...

Karina: É uma agulha contaminada. Doutor Alexandre, foi muito bem colocado a questão da dupla jornada de trabalho, é um fator que gera o risco de você ter o acidente com perfuro cortante, emergência é um outro fator, centro cirúrgico os artigos científicos eles demonstram o que? Que a maioria dos acidentes ocorrem no pronto socorro e no centro cirúrgico, são situações que você tem um grande estres, de emergência, então ali você está pensando em salvar a vida do paciente em primeiro lugar sempre e a sua vida fica de lado e muitos profissionais atendendo ao mesmo paciente. Então, a gente também tem outros setores que estão sendo afetados com acidentes de perfuro cortante como lavanderia, manutenção e o profissional da limpeza. Hoje dentro do hospital numa emergência uma seringa contaminada acaba indo para um lixo comum, o profissional da limpeza vai fazer a coleta desse lixo e se perfuro e ai ele não sabe nem quem procurar para ter uma medida de prevenção após o acidente. E essa questão da burocracia é uma questão também, por isso a gente tem 91 por cento de subnotificação. Quando você vai fazer a notificação desse acidente você precisa procurar vários setores e ai nisso a dificuldade que tem, então a gente não consegue ter esses 3 bilhões é pouco perto do cenário que a gente tem no Brasil hoje. Uma das maneiras de evitar o acidente com perfuro cortante em diversas situações são os dispositivos de segurança então, hoje no Brasil tem uma norma que chama NR32 que ele preconiza que todas as instituições de saúde disponibilizem os perfuros cortantes com dispositivo de segurança então, agulhas, lancetas, seringas com dispositivo de segurança. Então, esses dispositivos vão prevenir o acidente tanto no momento da aplicação no procedimento, quanto no descarte então, aqui doutor Zancopé, eu tenho um exemplo de como prevenir...

Zancopé: Gostei do doutor.

Karina: Então, vamos tomar uma injeção, doutor? Vamos aplicar agora uma injeção, eu trouxe uma agulha bem grande, então hoje aqui eu vou trazer um exemplo, de como prevenir um acidente com perfuro cortante, que é uma seringa que a gente chama de seringa inteligente, é uma seringa que ela via proteger o profissional da saúde para não ter o acidente com perfuro cortante, ela não altera em nada o procedimento do hospital e o cenário ideal seria que todos os hospitais utilizassem esse tipo de dispositivo de segurança, se tivesse isso em todas as instituições o número de acidentes ia reduzir muito e o profissional ia estar trabalhando com segurança na linha de frente e um profissional trabalhando com segurança é um profissional feliz e prestando o seu máximo na assistência, vamos tomar uma injeção, doutor?

Zancopé: Daqui a pouco, depois do intervalo você pode aplicar a injeção. ‘Gente que fala” retornará em instantes. O nosso “gente que fala” o Fabio Martins de França, que é especialista em ginástica para o cérebro, a nutricionista Carolina Arbache, a enfermeira Karina de Araújo e o cirurgião vascular Alexandre Amato. Doutor Alexandre o senhor citou em instantes em carótida existe cirurgia especifica para carótida?

Dr Alexandre Amato: Sim, sim. Quando há o estreitamento da carótida ou formação de placas ou nome que todo mundo conhece aterosclerose, dependendo do grau de estreitamento pode ser indicado o tratamento cirúrgico sim. Então, o que eu falei no primeiro bloco era sobre a prevenção então, como evitar de chegar de precisar do cirurgião vascular, à partir de certo ponto onde esse estreitamento já começa a dificultar que o sangue chegue no cérebro e pode enviar micro êmbolos, que também podem causar lesão cerebral, a cirurgia pode estar indicada. Existem basicamente dois tipos de cirurgia e é muito importante saber que elas existem. Então, a cirurgia aberta que é a tradicional que existe há décadas e décadas, seria a abertura e retirada dessa placa e existe agora cirurgia endo vascular e através de um furinho na virilha a gente consegue colocar um stent e esse stent abre essa carótida. Então, a princípio pode parecer, ah, a cirurgia mais moderna é o stent e é a melhor que tem, não, as duas continuam sendo usadas e tem a sua indicação precisa e isso é muito importante saber que se você procura um médico que só faz uma técnica ele vai indicar a única que ele sabe saber e tem que ir atrás do cirurgião vascular e endo vascular, que é o especialista que faz as duas técnicas e vai poder indicar a melhor em cada caso. Então, tem paciente que o stent não se aplica e tem paciente em que a cirurgia aberta não se aplica.

Zancopé: Isso que é importante que de repente eu encontro um cirurgião que a especialidade é cirurgia aberta, então ele quer mostrar as qualidades dele.

Dr Alexandre Amato: Exatamente. Também tem o radiologista, o radiologista intervencionista é médico que estudou o endo vascular só, ele sabe colocar stent, mas for necessário a cirurgia aberta ou ele tem essa abertura de enviar para o cirurgião vascular ou ele vai tentar indicar o que ele sabe fazer.

Zancopé: Por que apresenta risco de AVC?

Dr Alexandre Amato: Na manipulação, no intra operatório, a pergunta é no intra operatório, né?

Zancopé: eu acho que é, eu sou curioso, o senhor que tem que esclarecer.

Dr Alexandre Amato: Durante a manipulação tanto da cirurgia aberta, quanto na cirurgia indo vascular, pode se desprender algum pedacinho dessa placa e parar no cérebro, isso pode causar um AVC. A cirurgia, o ideal é que ela seja preventiva então, no momento que a gente identifica que o risco de não fazer nada é maior que o risco da cirurgia, ou seja, a cirurgia tem um risco vale a pena operar. Falar um pouquinho de número, então se o paciente é assintomático não tem sintoma nenhum, tem um risco de AVC entre 2 a 5 por cento, a cirurgia aberta vai ter um risco também entre 2 a 5 por cento, se o risco se empata não faz nada, se o risco da cirurgia é menor vale a pena operar profilaticamente par evitar que tenha um AVC no futuro, não existe cirurgia com risco zero, tanto o stent que é a técnica mais moderna quanto a cirurgia aberta, existem riscos e estes riscos tem que ser medidos, mensurados, para que tenha uma indicação boa para cada caso.

Zancopé: Para aqueles que acompanham o “gente que fala” eu sou repetitivo, mas os senhores que estão aqui participando do hoje, na tua especialidade, a do Fabio, da Karina e também da Carolina. Prevenção, nós não temos isso no Brasil?

Dr Alexandre Amato: Não.

Zancopé: Lamento, mas nós não temos.

Dr Alexandre Amato; Infelizmente o nosso foco é apagar incêndio.

Zancopé: Quando a Carolina fala sobre uma dieta, quando a Karina fala sobre cuidados, se pensarmos em termos de São Paulo, aí nós temos um universo maravilhoso e Fabio nem trabalha, porque essa (ininteligível) é fácil.

Dr Alexandre Amato: Tenho uma história curiosa para contar, que aconteceu esses dias recente. Um paciente que passou no consultório com lesão de aterosclerose grave já avançada ele virou para mim e falou assim “mas doutor, ninguém falou nada para mim antes, como que isso apareceu?” “Senhor, desculpa, essa doença tem mais de década, eu rasgo o meu diploma se nenhum médico falou para você parar de fumar” ai o familiar olhou para ele e falou assim “é”...

Zancopé: Não precisa nem ser médico para isso.

Dr Alexandre Amato: Mas isso faz parte da prevenção, isso faz parte da profilaxia.

Zancopé: Alexandre, o senhor fala para um paciente que ele tem que parar de fumar ele muda de médico, é mais fácil.

Dr Alexandre Amato: Exatamente.

Zancopé: Você vai lá e o Faio “ó, você tem que exercitar, fazer isso, aquilo, exercitar o teu cérebro”, já não vou mais com o Fabio, essas coisas são comuns, eu vou na Carolina ela me passa uma dieta eu vou embora.

Carolina: O máximo a dieta de um mês para o carnaval, ninguém quer...

Fabio: Você está correto mesmo Zancopé, a prevenção ela é muito difícil para o ser humano, porque você tem que trocar uma comodidade, uma satisfação imediata para uma coisa que você vai conseguir...

Dr Alexandre Amato: Sair da sua zona de conforto.

Fabio: Só no futuro que você vai ver o resultado.

Zancopé: Aí nesse momento em que o paciente foi o doutor Alexandre, o senhor há mais de 10 anos o senhor tem esse problema?

Dr Alexandre Amato: Isso mesmo.

Zancopé: Então mais de 10 anos eu estou mudando de médico, melhor do que fazer a prevenção.

Dr Alexandre Amato: Não tem um segmento, isso é importante também o segmento, as pessoas ouvem às vezes alguma coisa que não quer ouvir no médico, isso é muito frequente, “ah, ele não falou o que eu queria ouvir, eu vou procurar até encontrar alguém que fala o que eu quero ouvir” e infelizmente vai achar.

Zancopé: Conversei com doutor Letizio, em instantes, quando ele fala “não é recomendado”, se alguém por lá e ele disser “não é recomendado” esse paciente vai procurar outro que diz “ó, isso é muito bom e eu faço”

Karina: Doutor Zancopé, tem um dado bem interessante do Ministério do Trabalho, que cada um real investido em prevenção economize-se 4 então, a gente tem que pensar em prevenir para não chegar com essa questão. Quando a gente fala de acidente com perfuro, isso é uma coisa muita séria, você tem que pensar no antes para não correr atrás do prejuízo depois e o senhor não foge que eu vou fazer uma aplicação muscular em você ainda, eu não esqueci.

Zancopé: Pensei que você tivesse esquecido.

Karina: Não, não esqueci.

Fabio: A memória sua está excelente.

Karina: Minha memória está ótima. Eu estou aqui do lado eu estou só aguardando.

Zancopé: Eu estou exercitando mais para fugir da injeção.

Karina: Não fuja, olha a prevenção, vamos prevenir.

Zancopé: Carolina, o que é esquiate, é isso?

Carolina: Esquiate é uma bebida à base de chia, a chia todo mundo já conhece acho, né, já está bem famosa na mídia.

Zancopé: Originário do México, alguma coisa assim, não é?

Carolina: Isso. É uma bebida consumida por um povo e os índios que são conhecidos como os maiores corredores, tem até livros a respeito o “nascidos para correr” era uma tribo indígena que corria assim em cerca 150 quilômetros por dia, é o que eles sabiam fazem, eles saiam correndo por ai.

Dr Alexandre Amato; eu vou sair para dar uma corridinha.

Carolina: Dar uma corridinha de 150 quilômetros, coisa básica, não tem nada para fazer.

Zancopé: é chia, a base é chia, mas o que mais?

Carolina: É uma bebida à base de chia, água, limão e mel e eles utilizavam, consumiam bastante aí foram associar essa bebida com o desempenho esportivo que eles tinham que era incrível, quem corre 150 quilômetros? E atualmente a gente faz essa associação e realmente tem muitos benefícios, porque a chia está muito na moda, porque realmente é um superalimento, ela tem além de aminoácidos, fibra gorduras boas do ômega 3 que inclusive é muito legal para o cérebro, para prevenir Alzheimer e tudo mais.

Zancopé: Mas tem um a fórmula especifica desse esquiate, uma receitinha?

Carolina: Bem simples.

Zancopé: Que você citou ai chia.

Orador D; Bem simples para fazer em casa, uma colher de sopa de chia, um copo de água, espreme um limão e uma colher de sopa de mel ou melado de cana , coloca gelo chacoalha bem e ai toma antes do exercício ou durante.

Zancopé: Diabéticos não pode tomar?

Carolina: É ai o mel não é indicado, mas daí para tirar o mel e colocar um stevia, por exemplo, um adoçante natural.

Dr Alexandre Amato: Espero que nenhum diabético queira correr 100, 150 quilômetros sem o acompanhamento médico, por favor.

Zancopé: Fabio, exercício tem a ver com inteligência?

Fabio: Na verdade existem vários tipos de inteligência, então tem pessoas que tem uma inteligência matemática e tem esportistas que tem outro tipo de inteligência, uma inteligência corporal, imagina um jogador de futebol como é que ele consegue chutar uma bola e acertar no pé de uma outra pessoa que está em movimento então, ele tem uma inteligência, uma inteligência corporal, bailarino inteligência corporal, tem pessoas que tem inteligências linguísticas eu consigo aprender vários idiomas e eu consigo praticar esses idiomas então, existem vários tipos de inteligência, você não pode rotular uma pessoa que não tem habilidade em especifico de não ser inteligente, talvez ele não tenha aquela habilidade, eu sou péssimo jogador de futebol então eu não tenho uma inteligência corporal boa, então é um exemplo, então rotular pessoas é ruim. Mas então, está relacionado o esporte ele tem outro tipo de inteligência e é bastante interessante você ver isso e tem pessoas que tem mais facilidade para números, tem pessoas como eu mencionei facilidades para idiomas, a gente tem que identificar qual dessas inteligências é a melhor e utilizar isso como um benefício próprio e às vezes a gente tem que pegar uma deficiência e daí trabalhar esse deficiência e tentar melhorar essa deficiência. Tem três tipos de inteligência que são importantes para o trabalho e também para a vida social, a inteligência lógica matemática então, matemática você usa todo dia, quero estacionar o carro tem que determinar qual que é a proporção senão vou bater no carro do vizinho, então inteligência lógica matemática, a interpessoal todo mundo hoje convive em sociedade então, é difícil você ter uma pessoa que não consegue se relacionar e eu também preciso ter o que? A inteligência de conseguir definir ou identificar as emoções nas outras pessoas, então eu preciso ter essa inteligência emocional também. Então, essas são as três principais que todo mundo precisa ter e mais uma que talvez inata, a pessoa já nasce com aquilo, talvez ela fazendo uma atividade ela consegue potencializar, é o caso do jogador de futebol, pessoas que correm.

Zancopé: repetição, repetição do exercício.

Fabio: Isso. Existem alguns estudos que falam que uma pessoa se torna mestre numa determinada atividade com mais de 10 mil horas que é o caso de pianista, jogadores de xadrez e assim por diante, existem outros estudo que fala que à partir de 82 horas você já consegue dominar o assunto, não que você seja mestre naquele assunto então, 82 horas é o tempo mínimo para você dominar o assunto, eu sei o que é eu consigo conversar sobre aquele assunto então existem diferentes coisas.

Zancopé: O exercício simples, o exercício simples é importantíssimo...

Fabio: é importantíssimo. A repetição ele auxilia no processo de memorização, ah, então, quero me lembrar de alguma coisa, o que eu devo fazer? Estou lá em casa eu estou estudando o que eu devo fazer para conseguir reter a informação? Primeira coisa é escrever, então quando eu escrevo algo que eu quero aprender eu aumento em 188 por cento a capacidade de retenção, a segunda coisa é a repetição, então a repetição auxiliar no processo de memorização. Tem uma coisa que é extremamente importante, existe a chamada curva do esquecimento o que é a curva do esquecimento? É um processo que acontece com todo mundo, que uma informação que é exposta ela após um período de tempo eu não consigo reter essa informação então, um exemplo, de tudo o que a gente está falando aqui do preparo do chá por cento, amanhã eu vou lembrar 60 por cento, talvez eu esqueça do mel que tem que adicionar mel então, após 24 horas a gente esquece 60 por cento, após 7 dias a gente vai esquecer o que? A gente vai se lembrar só 30 por cento, talvez eu me lembre que é chia, eu não me lembro que eu tenho que...

Zancopé: Já esqueceu.

Fabio: ...Já esqueci, talvez eu não me lembro da quantidade, da colher e assim por diante e 30 dias depois, talvez eu me lembro que eu falo “‘nossa’ a gente conversou sobre o assunto” eu preciso ganhar da curva do esquecimento daí entra a repetição, é escrever, fazer uma revisão logo após 24 horas, 7 dias e 30 dias daí eu retenho essa informação adi eterno.

Zancopé: Karina, você está quietinha ai, não desistiu ainda da injeção?

Karina: Não desisti de maneira alguma.

Zancopé: Explica melhor sobre a seringa, que você diz que tem como é que é?

Karina: Solução, temos a solução para evitar os acidentes com perfuro cortante então, hoje não adianta relacionada a seringa a prevenção você só vamos falar “doutor Alexandre, toma cuidado na cirurgia” isso não é o suficiente, precisa ter algum mecanismo que proteja do perfuro cortante, o mecanismo a solução é uma coisa simples, que é uma seringa com dispositivo de segurança que vai prevenir que o profissional não tenha o acidente com a agulha contaminada. Então, vamos supor, que eu vou fazer uma benzetacil em você, que é uma medicação que não dói quase e aqui está o glúteo do senhor, vou pedir para segurar assim então...

Dr Alexandre Amato: Com implante ou sem implante (risos)

Karina: Esse está sem implante.

Zancopé: Sem implante.

Karina: E ai eu vou fazer a aplicação então, a técnica vai ser normal então, fiz aplicação uma picadinha não vai doer, sempre a gente fala isso, mas dói vai entrar um pouquinho e vou infundir, qual que é a diferença dela? Eu vou fazer um clique e a agulha vai sair de dentro do tecido do paciente para dentro do cilindro então, o profissional da saúde não tem contato nenhum com a agulha contaminada, a agulha está dentro do cilindro então, ela não vai se soltar daqui, vamos supor que numa emergência, numa cirurgia o doutor Alexandre está operando, ele está com vários colegas de trabalho, residente, alguém deixa do lado do paciente, se ele colocar a mão ele não tem o risco de sofrer acidente com a agulha contaminada, se for no meio da roupa de cama quando for para a lavanderia não vai ter o risco então, ela vai estar protegendo tanto no momento da assistência que manipula quanto no descarte então, essa é a solução, é uma solução simples. Os hospitais hoje tem uma norma que é a NR32, que obriga eles a utilizaram, porem falta fiscalização então, alguns hospitais utilizam, outros não e a gente tem número de profissionais contaminados com HIV, hepatite onde que uma simples seringa acabaria solucionando esse problema e não mudaria a vida inteira dele por conta de um acidente ocupacional.

Zancopé: Karina de Araújo, agradeço tua gentileza. Tem uma forma de entrar em contato contigo?

Karina: Tem, tem sim. Eu vou pedir para entrar pelo site que é www.sol-m.com.br.

Zancopé: Repete, como diz o Fabio, eu tenho que exercitar.

Karina: tem que exercitar a memória vamos todo mundo decorar o site www.sol-m.com.br.

Zancopé: Grato por ter vindo ao “gente que fala”.

Karina: Obrigada que eu agradeço.

Zancopé: Doutor Alexandre, muito bom tê-lo aqui, espero não precisar do senhor.

Dr Alexandre Amato: Se precisar eu estou à disposição.

Zancopé: É grave, se precisar é grave.

Dr Alexandre Amato: A gente faz o que pode.

Zancopé: Grato por ter vindo ao “gente que fala”. Tem uma forma de contato mais direto?

Dr Alexandre Amato: Tenho o nosso consultório o site www.amato.com.br.

Zancopé: Grato por ter vindo ao gente que fala. Fabio Martins de França, tem alguma forma de entrar contato direto contigo, um site?

Fabio: Tem sim. Eu queria também aproveitar para eu convidar todos os ouvintes, nós vamos ter na semana que vem a semana do “cérebro ativo” onde que nós vamos ter mini workshops, palestras e outras atividades ali na avenida Pompéia e caso vocês queiram participar do evento, por favor, entre em contato com telefone 3181-2166.

Zancopé: Repete 3181...

Fabio: 3181-2166, e os eventos vão ser na parte da manhã, à tarde e à noite.

Zancopé: Avenida Pompéia é no Método Supera Ginástica para o Cérebro, é isso?

Fabio: Isso mesmo. Então do dia 18 ao dia 23.

Zancopé: Grato por ter vindo ao nosso “gente que fala”.

Fabio: Obrigado você.

Zancopé: E você Carolina Arbache, bom tê-la aqui. Como é que se entra em contato direto contigo?

Carolina: pode ser pelo site também www.natuiee.com.br.

Zancopé: Grato por ter vindo, transmita um abraço para o doutor Carlos Arbache.

Carolina: Pode deixar.

Zancopé: “Gente que fala” tem a direção geral do jornalista Fausto Camunha, diretora de produção Zenilda Salvato, redação Haraela Brandão e Pedro Schiavon, pauta José Carlos Cicarelli, produção cultural Ricardo Godói, na Rádio Trianon Benebene, Cléo Rodrigues, Neildo Neres, Ricardo Valim, na direção da TV Guarulhos Fernando Mauro, na direção da ALLTV Alberto Luchetti, na técnica James Eduardo, Marcelo Fontana, Sérgio de Oliveira, Iago Matsumoto. Estaremos de volta amanhã 12:00 horas, gratos até lá.

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Trombose e Embolia Pulmonar, quem precisa de prevenção em viagens?

qui, 01/14/2016 - 16:41

A trombose venosa profunda é uma doença que acontece subitamente após a formação de um trombo (uma espécie de coágulo) dentro do sistema venoso mais profundo, especialmente nas pernas e coxas. Esse trombo pode ainda seguir o trajeto da veia e obstruir o fluxo sanguíneo mesmo distante do local em que se formou, levando a condições de saúde grave.  Como esse coágulo gera uma obstrução do fluxo de sangue, o corpo tenta combater essa agressão com inflamação. Assim, se essa trombose acontece nas veias profundas da perna, encontraremos uma perna inchada, dolorosa e mais quente se comparada com a outra perna. A embolia pulmonar é um fenômeno que pode ocorrer devido à presença de um trombo nas veias que se desprende e é levado ao pulmão, impedindo a passagem de sangue para esse órgão. Esse fenômeno é chamado de embolia pulmonar ou TEP e é muito grave, podendo ocasionar a morte.
A pessoa com TEP sente uma súbita falta de ar. Pode sentir também dor e chiado no peito, respiração rápida e tosse, que pode vir acompanhada de escarro com sangue; dor, palidez e formigamento, e, nessa situação deve ser atendida prontamente por equipe médica, não há medida leiga que possa ajudar nessa situação.
Quando ocorre no avião, é descrita como síndrome da classe econômica, mas pode ocorrer tanto na business quanto na primeira classe. O problema não é restrito ao avião, podendo ocorrer no carro, no ônibus, no trem ou em qualquer meio de transporte, pois o que realmente importa é o tempo de imobilização, ou seja, “ficar parado".
Para fins de estudos, a viagem longa é considerada aquela com mais de 3 horas de duração, e a trombose pode ocorrer até 4 semanas depois do evento. Existem diversos estudos interessantes com os mais variados resultados, mas acredita-se que viagens prolongadas aumentam de 2 a 4 vezes o risco de tromboembolismo. A maior parte das pessoas que tem trombose numa viagem tem no mínimo um fator de risco, mas o que pode acontecer é que ela não sabe que tem esse risco aumentado.
Algumas pessoas possuem riscos maiores para desenvolver a trombose e a embolia pulmonar, são aqueles que já tiveram trombose ou embolia, têm câncer, derrame, doença cardíaca, trombofilia (doença do sangue associada a formação de trombos), cirurgia recente, doença grave (insuficiência cardíaca congestiva, doença inflamatória intestinal), paralisia, imobilidade por outra causa, uso de cateter venoso, idade > 40 anos, obesidade, gravidez, pós-parto e terapia hormonal (tanto anticoncepcional quanto reposição). Caso tenha algum desses fatores é recomendável conversar com seu cirurgião vascular ou angiologista antes de uma viagem longa. Não use medicação sem indicação médica. 
 
Os antiagregantes (como a aspirina) e os anticoagulantes, que deixam o sangue mais fino realmente diminuem a probabilidade de trombose, mas trazem outros riscos associados, como o risco de sangramento e reações ao medicamento. Uma reação inesperada, por causa de uma droga que não é utilizada de rotina, se ocorre num avião, pode ser catastrófico. Esses medicamentos não estão indicados na maioria dos casos.
 
 
O uso de meia elástica durante o vôo não só diminui os sintomas da imobilidade prolongada como previne a formação do trombo. Então, mesmo para quem não tem fatores de risco, o uso da meia elástica pode ser benéfica, diminuindo o inchaço, sensação de peso e dores nas pernas. Uma dica é não utilizar a meia pela primeira vez na vida no vôo, teste-a antes num dia normal. A meia elástica comprime o sistema venoso superficial, direcionando o fluxo para o sistema venoso profundo e consequentemente melhorando o fluxo venoso. Para o bom funcionamento, é essencial que a meia tenha sido adequadamente medida e adaptada para a sua perna. Não utilize meia elástica emprestada, ou velha, elas não só podem garrotear e piorar a situação como estarem frouxas e não ajudarem em nada. Compre a meia em casas de material médico-cirúrgico, com ajuda de vendedor que meça sua perna. A meia elástica indicada para quem não tem doença venosa é a de 3/4 com 15-30 mmHg de compressão.
 
Outra tática eficaz é a realização de exercícios musculares frequentes com as pernas durante o vôo e caminhadas frequentes. Levante e abaixe os pés em sequências de 10 movimentos com o intuito de contrair a batata da perna, isso ativa a musculatura da panturrilha, bombeando o sangue de volta para o coração e ativando a circulação.
 
Tome bastante liquido para deixar o sangue bem fluido. Quanto mais desidratado, o sangue fica mais espesso e com mais chance de trombosar. Não fique com receio de ter que ir no banheiro, indiretamente a movimentação para ir no banheiro também ajuda a evitar a trombose.
 
Evite o consumo exagerado de álcool e pílulas para dormir. O uso da medicação sonífera poderá colocar em estado quase de “hibernação”. A idéia de dormir e acordar no local de destino pode ser tentadora, mas se, para que isso ocorra tenha que ficar imobilizado dormindo, com certeza os riscos de trombose aumentam.
 
As roupas devem ser confortáveis e largas. Nada que aperte ou garroteie. Isso pode dificultar o retorno do sangue.
 
Duas curiosidades são: a probabilidade de se ter uma trombose sentado na janelinha é duas vezes maior do que sentado no corredor, e outra é que pessoas altas tem um risco maior de desenvolver a trombose no avião do que pessoas baixas. A razão é basicamente a mesma, quem senta na janelinha caminha e se movimenta menos, e o indivíduo alto tem menos espaço para se movimentar. Então, não conte essa dica para todo mundo, senão não teremos mais como escolher os assentos. Eu só escolho o corredor.
 
Recomendações gerais para todo mundo

  • Exercícios para panturrilha frequentes
  • Caminhar e se movimentar frequentemente
  • Escolher o assento do corredor

 
Recomendações extras para quem tem fatores de risco

  • Meia elástica 3/4 de 15-30mmHg, bem ajustada, sem garrotes ou engruvinhamentos
  • Uso de anticoagulante ou antiagregante somente com indicação médica naqueles pacientes que os benefícios superam os riscos
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Tratamento para tumor no fígado: orientações para quimioembolização

qua, 01/06/2016 - 12:06
Quimioembolização hepática

O que é quimioembolização hepática?
Quimioembolização é a combinação da injeção local de medicamentos de quimioterapia com o procedimento de embolização para tratar o câncer.
As drogas anticancerígenas são injetadas diretamente no vaso sanguíneo que alimenta o tumor e o agente embólico. Um material sintético é introduzido dentro do vaso sanguíneo que fornece sangue ao tumor, de modo que o efeito é “prender” a medicação quimioterápica no tumor e entupir o vaso, diminuindo a irrigação do câncer. Sem sangue, que é seu alimento, e com muito medicamento no local, o tumor tente a regredir.
 
Quais são as utilizações mais comuns desse procedimento?
A quimioembolização tem eficácia comprovada em pacientes cuja doença é limitada ao fígado, seja o tumor primário desse órgão ou decorrente de metástase (tenha se espalhado a partir de outro órgão).
 
Os tumores que podem ser tratados por quimioembolização são:
 
·      Hepatoma ou carcinoma hepatocelular (câncer primário do fígado)
·      Colangiocarcinoma (câncer primário dos canais biliares no fígado)
·      Metástase (disseminação) para o fígado a partir de:
o   Câncer de cólon
o   Câncer da mama
o   Tumores carcinoides e outros tumores neuroendócrinos
o   Melanoma ocular
o   Sarcomas
o   Outros tumores primários vasculares no organismo
 
Dependendo da extensão e do tipo de tumor, a quimioembolização pode ser usada como o único tratamento ou em combinação com cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou radiofrequência.
 
Como devo me preparar?
Muitos dias antes do procedimento, consulte-se com o cirurgião endovascular ou angiorradiologista que será o responsável por esse procedimento.
Antes da quimioembolização, o seu sangue deverá ser testado para determinar o funcionamento dos seus rins e a coagulação.
Conte ao seu médico toda a medicação que está tomando, incluindo os suplementos naturais, e se tem alguma alergia, especialmente à medicação de anestesia local, anestesia geral ou para contraste que contenha iodo. O seu médico poderá aconselhá-lo a parar de tomar aspirina, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou anticoagulantes por um período específico antes do seu procedimento.
As mulheres devem sempre informar seu médico e o radiologista sobre qualquer possibilidade de estarem grávidas. Muitos exames de imagem não são realizados durante a gravidez para não expor o feto à radiação. Se o raio X for realmente necessário, deverão ser tomadas precauções para minimizar a exposição do bebê à radiação.
Você deve receber instruções específicas sobre como se preparar, incluindo quaisquer alterações que precisem ser feitas em seu horário habitual de medicação.
Será dado um sedativo durante o procedimento. Você deverá estar em jejum de quatro a oito horas antes do seu exame. Deverá também haver um familiar ou amigo para acompanhá-lo e levá-lo de volta após o procedimento. Às vezes, é necessário internação hospitalar; você deverá planejar passar a noite no hospital por um ou mais dias, conforme orientação.
Crianças poderão precisar de anestesia geral para o procedimento. O departamento de anestesia dará instruções à família.
 
Como é o equipamento?
O equipamento usado para este procedimento consiste em um raio X especial, um arco em C, com tubos de raio X, um monitor e a radioscopia (ou fluoroscopia), que converte raio X em imagens de vídeo, utilizada para observar e guiar o procedimento. O vídeo é produzido pela máquina de raio X e um detector que está suspenso sobre a mesa onde o paciente está deitado.
Um cateter é um tubo longo e fino de plástico que é consideravelmente menor que um lápis grafite, com aproximadamente 3,2mm de diâmetro.
Vários agentes de embolia são utilizados para obstruir ou bloquear os vasos sanguíneos, mas os mais comuns são microbolinhas de gel e plástico como embosferas e bead blocks.
Outro equipamento que pode ser utilizado durante o procedimento inclui o acesso venoso, o ultrassom e dispositivos para monitorização do coração e da pressão arterial.
 
Como o procedimento funciona?
A quimioembolização ataca o câncer de duas formas. Primeiro, proporciona uma grande concentração de quimioterapia, ou drogas anticâncer, diretamente no tumor, sem expor o corpo todo ao efeito dessas drogas. Segundo, o procedimento corta o fornecimento de sangue ao tumor, prendendo as drogas anticâncer no local e privando o tumor de oxigênio e dos nutrientes de que precisa para crescer.
O fígado tem característica única, pois possui dois tipos de fornecimento de sangue – uma artéria (a artéria hepática) e uma veia grande (a veia porta). O fígado normal recebe cerca de 75% do seu fornecimento de sangue através da veia porta e só 25% através da artéria hepática. Quando um tumor cresce no fígado, no entanto, ele recebe quase todo o seu fornecimento de sangue da artéria hepática.
Drogas de quimioterapia injetadas na artéria hepática alcançam o tumor diretamente, poupando a maior parte do tecido saudável do fígado. Então, quando a artéria é bloqueada, o sangue deixa de ser fornecido ao tumor, enquanto o fígado continua a receber sangue da veia porta. Isso também permite que uma alta concentração de drogas anticâncer esteja em contato com o tumor por mais tempo.
 
Como é realizado o procedimento?
Guiados por imagem, procedimentos minimamente invasivos como a quimioembolização são muitas vezes realizados por um angiorradiologista ou cirurgião endovascular especialmente treinado em uma sala de radiologia intervencionista ou, ocasionalmente, no centro cirúrgico.
Imagens de raio X serão feitas para mapear o caminho das artérias sanguíneas que alimentam o tumor.
Às vezes, medicamentos para proteção renal são utilizados, assim como antibióticos para prevenir infecções e sintomáticos para náuseas e dores.
O paciente é posicionado na mesa de exame e conectado a monitores que acompanham o seu batimento cardíaco, a pressão arterial e a pulsação durante o procedimento. Um enfermeiro ou técnico injetará uma veia da mão ou do braço para que o sedativo seja dado de forma intravenosa. Como alternativa, o paciente pode receber anestesia geral.
Uma pequena incisão na pele é feita na virilha. Com o guia do raio X, um fino cateter é inserido através da pele para a artéria femoral, um grande vaso na virilha, e avançado até ao fígado. Em seguida, um material contrastante é injetado pelo cateter. Realiza-se então outra série de raio X.
Uma vez posicionado o cateter nos ramos da artéria que alimenta o tumor, as drogas anticâncer e os agentes de embolia previamente misturados são injetados.
Radiografias adicionais serão tiradas para confirmar se todo o tumor foi tratado.
No final do procedimento, o cateter é removido e aplica-se pressão para controlar qualquer sangramento. A abertura na pele é então coberta com curativo compressivo. Não são feitos pontos, pois não é preciso.
O paciente ficará de repouso no quarto de recuperação por quatro a seis horas.
A quimioembolização dura, normalmente, 90 minutos.
 
O que experienciarei durante e depois do procedimento?
Dispositivos para monitorizar a sua frequência cardíaca e a sua pressão sanguínea serão ligados ao seu corpo. Você sentirá uma pequena picada quando a agulha for inserida na sua veia para a colocação do acesso venoso e quando a anestesia local for injetada. Não haverá sensibilidade nas artérias. A maior parte da sensação ocorre na incisão localizada na pele, que fica dormente com a anestesia local.
Se o procedimento for realizado com sedativos, o medicamento fará com que você se sinta relaxado e sonolento. Poderá ou não permanecer acordado, dependendo de quão sedado estiver.
Poderá sentir uma pequena pressão quando o cateter for inserido, mas nenhum desconforto maior.
À medida que o material contrastante passar pelo seu corpo, poderá sentir uma sensação de calor.
A maioria dos pacientes apresenta alguns efeitos secundários com o nome de síndrome pós-embolização, que incluem dor, náuseas, vômitos e febre. A dor é o efeito secundário mais comum porque o fornecimento de sangue à área tratada está cortado. Pode ser prontamente controlada por medicação oral ou intravenosa.
Você poderá deixar o hospital 48 horas após o procedimento, uma vez que a sua dor e as náuseas tenham diminuído. Irá para casa com prescrições de antibióticos via oral, bem como medicamentos para as dores e para as náuseas. É normal haver febre alta até uma semana depois do procedimento. Fadiga e perda de apetite também são comuns e podem durar duas ou mais semanas. Em geral, isso é sinal de uma recuperação normal.
Se a sua dor mudar de repente em grau ou caráter, se a sua febre repentinamente ficar mais alta ou se você notar outras mudanças fora do normal, entre em contato com o seu médico.
O seu fisioterapeuta dará instruções sobre como utilizar um aparelho para respirar com o nome de espirômetro de incentivo, a fim de ajudá-lo a encher seus pulmões para que não desenvolva pneumonia.
 
Como será minha recuperação?
Você conseguirá retomar as suas atividades normais em uma semana. No primeiro mês após o procedimento, deverá fazer um check-up de rotina para que o seu médico saiba como vai sua recuperação. Deverá submeter-se a uma tomografia computorizada ou ressonância magnética e a exames laboratoriais no sangue para determinar o tamanho do tumor tratado.
Se houver um tumor em ambos os lados do fígado, comumente só parte dele será tratado da primeira vez e, um mês depois, será necessário regressar ao hospital para uma quimioembolização adicional.
Tomografia computadorizada ou ressonância magnética serão realizadas de três em três meses para determinar o grau de diminuição do tumor e verificar se e quando novos tumores surgem no fígado. O tempo médio antes de um segundo ciclo de quimioembolização (por causa do tumor novo) é entre 10 e 14 meses.
A quimioembolização pode ser repetida muitas vezes no decorrer de vários anos, desde que permaneça tecnicamente possível e você continue a ser saudável o suficiente para suportar procedimentos repetidamente.
 
Quem interpreta os resultados e como os obtenho?
O angiorradiologista ou cirurgião endovascular irá informá-lo se o procedimento tiver sido um sucesso técnico quando terminado. Terá também marcações para tomografia computadorizada ou ressonância magnética adicionais e exames de sangue para determinar o tamanho do tumor tratado.
 
Quais são os benefícios e os riscos?
A - Benefícios
·      Em cerca de dois terços dos casos tratados, a quimioembolização pode fazer com que os tumores no fígado parem de crescer ou encolham. Esse benefício dura em média de 10 a 14 meses, dependendo do tipo de tumor, e normalmente pode ser repetido se o câncer voltar a crescer.
·      Outros tipos de terapia (remoção do tumor, quimioterapia, radiação) podem ser utilizados em combinação com a quimioembolização para controlar o tumor.
·      Quando o câncer é limitado ao fígado, a maior parte dos óbitos deve-se à insuficiência hepática causada pelo tumor em crescimento, não ao fato de o câncer estar espalhado pelo resto do corpo. A quimioembolização pode ajudar a prevenir esse crescimento do tumor, preservando o funcionamento do fígado e um estilo de vida relativamente normal.
B - Riscos
·      Qualquer procedimento no qual a pele seja penetrada envolve risco de infecção. A probabilidade de a infecção precisar de tratamento com antibiótico é muito baixa.
·      Qualquer procedimento que envolva a colocação de um cateter dentro de um vaso sanguíneo acarreta certos riscos. Esses riscos incluem dano ao vaso sanguíneo, hematomas ou sangramento no local da punção, além de infecção.
·      Há sempre a possibilidade de o material de embolização alojar-se no local errado e privar o tecido normal do seu fornecimento de sangue.
·      Há risco de infecção depois da embolização, mesmo que se tenha administrado antibiótico.
·      Como a angiografia faz parte do procedimento, há risco de reação alérgica ao material contrastante.
·      Como a angiografia faz parte do procedimento, há risco de deterioração da função renal em pacientes com diabetes ou outras doenças preexistentes.
·      Reações à quimioterapia podem incluir náuseas, perda de cabelo, redução de glóbulos brancos, redução de plaquetas e anemia. Como a quimioembolização prende a maior parte das drogas de quimioterapia no fígado, essas reações são normalmente suaves e menores que na quimioterapia sistêmica.
·      Complicações sérias da quimioembolização podem ocorrer em 5% dos casos. A maioria dessas complicações envolve infecção ou deterioração do fígado. Relatos indicam que aproximadamente um em cada 100 procedimentos resulta em morte, normalmente em razão de insuficiência hepática.
·      Crianças têm grande risco de formar coágulo de sangue na perna depois do procedimento.
 
Quais são as limitações da quimioembolização?
A quimioembolização não é recomendada em casos de disfunção grave do fígado ou rim, coagulação anormal do sangue, cirurgia anterior, stent no ducto biliar ou bloqueio do ducto biliar. Em alguns casos – apesar da disfunção do fígado – a quimioembolização pode ser realizada em pequenas quantidades e diluída em vários procedimentos para tentar minimizar o efeito no fígado.
A quimioembolização é um tratamento de controle e não de cura. Aproximadamente 70% dos pacientes terão melhorias e, dependendo no tipo de câncer, a taxa de sobrevida poderá ser maior.
 
Outros artigos que podem interessar:

 
Bibliografia
Grosso, Maurizio, Claudio Vignali, Pietro Quaretti, Antonio Nicolini, Fabio Melchiorre, Gabriele Gallarato, Irene Bargellini, and others. "Transarterial Chemoembolization for Hepatocellular Carcinoma with Drug-eluting Microspheres: Preliminary Results From An Italian Multicentre Study." Cardiovascular and interventional radiology 31, no. 6 (2008): doi:10.1007/s00270-008-9409-2.
Journal of chromatography. B, Analytical technologies in the biomedical and life sciences

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Embolização de mioma

qua, 12/23/2015 - 19:29

A embolização de miomas está inclusa no rol de procedimentos de cobertura obrigatória por convênios e planos de saúde. É uma técnica de radiologia intervencionista aplicada às áreas vascular e ginecológica para abordagem terapêutica de várias situações, como no tratamento dos miomas uterinos.

Os miomas uterinos são nódulos de tecido muscular liso e tecido conjuntivo fibroso que se desenvolvem na parede do útero. São os tumores benignos comuns que atingem mulheres em fase reprodutiva. As pacientes apresentam sintomas como sangramentos, cólicas e fluxos menstruais excessivos, sensação de peso no baixo ventre, dor durante a relação sexual, dificuldade para engravidar e até abortos espontâneos.

A embolização de miomas é um tratamento cirúrgico, que bloqueia os vasos sanguíneos que nutrem o tumor. O procedimento é realizado por uma equipe multidisciplinar (ginecologista e vascular intervencionista), em que o médico é guiado por imagens para acessar a artéria uterina que irriga o ovário. A partir da visualização dos nódulos, o médico faz a injeção do agente embolizante, que vai bloquear o fluxo de sangue nos vasos que alimentam o tumor. Sem irrigação a sanguinea, em seis meses após o procedimento, é possível ver uma redução média de 40% do volume do útero, com melhora dos sintomas.

A técnica é realizada com anestesia raquidiana ou peridural e o processo leva em torno de 1h30, incluindo preparo. A recuperação se dá em poucos dias e a paciente pode retomar em breve suas atividades normais. A embolização ainda permite o tratamento de mulheres que apresentam múltiplos miomas, mais difíceis de serem removidos pela miomectomia.

Quem pode se beneficiar da técnica:

- Mulheres portadoras de leiomiomas uterinos intramurais sintomáticos ou miomas múltiplos sintomáticos na presença do intramural (sintomas expressos através de queixa de menorragia/metrorragia, dismenorreia, dor pélvica, sensação de pressão supra púbica e/ou compressão de órgãos adjacentes).

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Espuma vs Laser e Cirurgia tradicional para varizes

ter, 12/08/2015 - 17:34

Trabalho recentemente publicado mostra que o resultado após 5 anos da cirurgia de varizes com laser e a tradicional são superiores à técnica com espuma. O que não é novidade aqui no site, já comentamos sobre isso anteriormente aqui, onde o laser era melhor que a espuma e a cirurgia tradicional. As evidências científicas vão apenas acumulando, mostrando a melhor eficácia e menor invasividade do laser.

Por isso, é muito importante se informar adequadamente antes de tomar decisão relacionada a sua saúde. Está planejando tratamento de varizes e foi indicado algum procedimento? Pesquise e ouça outras opiniões. A espuma está na mídia, mas nem sempre é a melhor opção. Existem casos muito específicos onde a espuma é bem aplicada. O cirurgião vascular, principalmente aquele apto à realizar todos os procedimentos venosos, pode ajudar nessa decisão.

Fonte: EADV: Best treatments for great saphenous vein reflux

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Pé diabético

seg, 11/23/2015 - 15:07
Pé diabético

Uma das maiores causas de amputação no Brasil

A você paciente, nossos cumprimentos. Se está lendo este pequeno texto, isto significa que está interessado na sua saúde. Para se aprofundar no assunto ou avaliar a sua situação, passe em consulta com um cirurgião vascular.

 

A Diabetes é uma das doenças mais comuns na atualidade, atingindo cerca de 9% da população mundial. No Brasil as pesquisas indicam prevalência de 5%, podendo chegar a mais de 20% após os 50 anos de idade, sendo um pouco mais comum em mulheres. Em 2012, a Federação Internacional da Diabetes estimou em nosso país 13,4 milhões de doentes. Além do impressionante número, chama a atenção o fato de cerca de metade dos doentes não saberem que são portadores do problema. Isso é muito grave. Esta população não está tomando a única atitude que poderia minimizar o impacto da doença, que é o seu controle.

 

Como o problema se instala?

 

A diabetes começa de forma silenciosa  e sem dar sinais. Com os anos, o descontrole metabolico se acumula no organismo e, eventualmente, o primeiro sintoma pode ser uma complicação grave. Os pés dos portadores de diabetes estão particularmente em risco. Em sua evolução, a dibetes leva a perda de sensibilidade dos pés, à diminuição da circulação do sangue, a perda da capacidade de cicatrização e de defesa contra infecção. Segundo a American Diabetes Foundation, um diabético tem entre 15 e 45 vezes mais chance de sofrer uma amputação e isto está muito ligado a dois pontos que são justamente uma infecção e a falta de circulação de sangue. A falta de sensibilidade facilita a ocorrência de lesões nos pés, gerando o que chamamos de porta de entrada para germes ou bactérias. Como a capacidade de defesa nos diabéticos é diminuida, esta infecção pode se alastrar mais rapidamente, e pior, sem gerar sintomas em um primeiro momento, atrasando o diagnóstico e o tratamento. A presença de diabetes mal controlada leva à deterioração das artérias das pernas após algum tempo, prejudicando a condução do sangue até os pés, com chance de gangrena e amputação. Dois terços dessa população tem problemas circulatórios nas pernas e/ou em outros locais como o coração, rins e olhos (retina).

 

Prevenção:

 

A melhor forma de prevenir complicações é o diagnóstico e controle precoce do diabetes associado aos cuidados com os pés. O diabético deve examinar seus pés todos os dias à procura de pequenos ferimentos, evitar unhas mal cuidadas, tratar micoses entre os dedos, hidratar a pele e observar alterações da aparência normal do pé. Se houver limitação da visão, algo infelizmente não raro entre os diabéticos, uma segunda pessoa deve auxiliar nesta tarefa. O consumo excessivo de alcool acelera a perda de sensibilidade e deve ser evitado. O uso de sapatos adequados que sejam largos, macios e confortáveis é imprescindível, assim como sua inspeção antes de calçar a procura de objetos em seu interior. O diabético deve evitar ao máximo andar descalço ou com os pés desprotegidos, assim como colocar os pés em qualquer tipo de banho de imersão em água aquecida.

 

Tratamento:

 

O tratamento vai depender da forma como este pé está afetado e o grau de comprometimento dos diversos tecidos que o compõe. No caso de haver falta de circulação e na presença de uma ferida, é possível que seja necessário o restabelecimento da circulação para poder ocorrer a cicatrização dessa lesão. Esse restabelecimento se da por meio de cirurgias convencionais e endovasculares que permitem ao sangue fluir melhor em regiões onde antes não conseguia chegar de forma adequada e suficiente. Se houver uma ferida, mas a circulação estiver preservada, eventualmente cuidados locais baseados em curativos pode ser a terapia de escolha. Sempre que houver infecção associada, o emprego de antibióticos é recomendado. Infecções leves e superficiais podem ser inicialmente tratadas de forma ambulatorial com acompanhamento dos curativos e medicações por via oral, entretanto, quando a infecção for mais acentuada ou profunda, normalmente é recomendada a internação para cuidados específicos que envolvem além dos curativos, muitas vezes cirurgias para limpeza local e antibióticos injetáveis com maior poder de alcançar área em risco. Infelizmente, uma parte não desprezível dos pacientes portadores de pés diabéticos com complicações circulatórias e infecciosas graves procura o médico apenas em uma fase muito avançada. Em situações extremas, onde a chance de salvar este é ou mesmo esta perna gravemente comprometida for muito pequena, e ao mesmo tempo gera um grande risco de morte ao paciente. Nestas situações limites pode ser necessária a amputação desta parte do corpo. Todos os esforços devem ser empregados a fim de que se evite estas situações limites, e a melhor forma de evitá-las é a prevenção e o tratamento precoce, mesmo das menores e mais "inocentes" lesões.

 

Dica

 

Se você julga que seu pé, ou de um familiar, esteja em risco e possa ter um problema circulatório, converse com seu vascular. Ele é o especialista que tem conhecimento sobre prevenção, as melhores técnicas de investigação e sobre o tratamento desta perigosa complicação e pode, em conjunto com o paciente, definir a melhor forma de controlar este problema.

 

Fonte: SBACV e Prof. Dr. Alexandre Amato

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10 Perguntas sobre laser e varizes

dom, 11/15/2015 - 20:29

O reconhecimento do laser como melhor opção vem aumentando pelo mundo. A recente publicação das diretrizes europeias de 2015, e pela diretriz americana de 2012 reconhecendo o método como melhor opção trouxe mais força ao método. Não é um procedimento experimental, embora seja recente.

 

 

Como é o procedimento de varizes a laser?

O laser é energia ótica e térmica aplicada à veia para fechá-la. Existem duas maneiras de utilizá-lo. Por dentro da veia ou por fora. A tecnica endovenosa serve para as veias maiores e insuficientes como as safenas, e a técnica transdérmica serve para as varizes superficiais, como as teleangiectasias e reticulares, que sao os chamados vasinhos.

 

Qual a diferença em relação ao método tradicional?

Comparando com a cirurgia convencional, a técnica a laser não arranca a veia fora, e sim fecha e exclui ela da circulação. Dessa forma, sendo menos agressiva, a recuperação é bem mais comoda e rápida. 

Quando falamos do laser transdermico, devemos compará-lo à escleroterapia, ou "aplicação" dos vasinhos. Ele permite maior possibilidade de tratamento e menos sessões, principalmente quando associado a outras técnicas.

 

O método é menos invasivo?

Sim, muito menos. Enquanto a cirurgia tradicional requer cortes e dissecção, o laser endovenoso é feito através de punção, ou seja um furinho apenas. Além disso, como não há o arrancamento da safena, não há grandes sangramentos e portanto menos hematomas e equimoses

 

Quando o tratamento de varizes a laser é indicado ao paciente?

Recentemente o Guideline (diretriz) europeu colocou o laser venoso como indicação IA e a cirurgia tradicional como IIB, ou seja, o mundo já está percebendo os beneficios da técnica e não é nada experimental. Isso pode ser compreendido de várias maneiras e resumindo é: a cirurgia tradicional funciona, mas se há a possibilidade de oferecer o laser como tratamento, este deve ter a preferência.

 

Qual o tempo de recuperação da cirurgia de varizes a laser?

Em torno de uma semana. Muitos pacientes já estão bem muito antes. Enquanto na cirurgia tradicional a recuperação ficava em torno de 15 a 30 dias. Além disso, com o laser, no dia seguinte atividades diárias já devem ser retomadas.

 

Também pode ser usado na cirurgia da safena da perna?

Sim, o laser endovenoso deve ser usado nas safenas, e pode ser usado em outras veias doentes também, como as perfurantes insuficientes e outras veias menos famosas.

 

Com a cirurgia a laser é possível acabar de vez com as varizes?

Acabar de vez com as varizes é complicado. A doença, quando primária, tem um componente genético importante, então, por mais que todas as veias doentes sejam retiradas e tratadas, por carregar a genética para isso, outras veias podem ficar doentes no futuro. O que é possível, é eliminar todas, ou a maioria das veias doentes, tendo um benefício circulatório e consequentemente estético.

 

Como prevenir o aparecimento das varizes?

Como a genética não é possivel mudar, devemos atuar nos fatores predisponentes, como a obesidade, os hormônios e os fatores agravantes, como alterações posturais e a profissão. Ou seja, evitar a obesidade com dieta saudável e exercicio físico, que também melhora a musculatura da panturrilha. Evitar uso de hormônios, se possível. E, com relação à profissão, aqueles que ficam muito tempo de pé e parado, devem se movimentar mais, e, se indicado pelo vascular, usar meia elástica. 

 

A cirurgia pode ser feita por homens e mulheres?

Ambos sofrem de varizes, a diferença é que as mulheres procuram ajuda médica antes, porque se incomodam com a questão estética. Os homens muitas vezes chegam no consultorio em fases mais avançadas da doença. E, para ambos, a cirurgia pode ser o tratamento indicado.

 

É verdade que mulheres tem mais propensão a ter varizes? Por quê?

Como disse antes, tanto homens como mulheres sofrem de varizes, mas as mulheres procuram o tratamento mais cedo porque se incomodam com a estética das pernas. Por causa disso, a procura nos consultórios é maior pelas mulheres, mas isso não quer dizer que os homens não tem varizes, apenas que não estão procurando tratamento nas fases iniciais. As mulheres tem também a influencia dos hormonios e a piora por causa da gravidez, que aumentam as varizes.

 

 

 

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Tumor glômico carotídeo ou quemodectoma

dom, 11/15/2015 - 17:58

É um câncer neuroendócrino raro que se origina de células presentes na bifurcação da artéria carótida, também conhecidos como paragangliomas não cromafins ou tumor de corpo carotídeo. São células especiais, especializadas como quimioceptores, ou seja, regulam a pressão sanguinea arterial. A maioria das vezes não é maligno, mas apesar de benigno tem um crescimento lento mas contínuo que requer tratamento cirurgico pois acaba por dificultar a chegada de sangue no cérebro, um comportamento semelhante ao maligno.
É muito importante diferenciar de aneurisma de carótida. Ambos aumentam o tamanho da artéria e portanto podem ser confundidos, mas o tratamento é completamente diferente. Enquanto que o tumor glômico carotídeo consiste numa proliferação descontrolada das células aumentando de tamanho a bifurcação da carótida e deformando a anatomia cormal, o aneurisma é uma dilatação oca da artéria.

Quando esse tumor é ativo, ou seja, secretivo, ele pode secretar substãncias e hormônios que podem acelerar o coração ou mesmo aumentar a pressão arterial.
Os sintomas variam com o tamanho do tumor e secreção hormonal, podendo apresentar rouquidão, dificuldade e dor para engolir, dor de cabeça, sensação de pressão no angulo da mandíbula e desmaios. Derrame cerebral também pode acontecer com o crescimento do tumor, devido à pressão, alteração e estenose da artéria carótida. O melhor tratamento é o cirúrgico, sendo a embolização do tumor uma possibilidade para diminuir seu sangramento no intraoperatório, pois é um tumor altamente vascularizado. A radioterapia é uma possibilidade coadjuvante.

Essa é a arteriografia e a embolização do tumor glômico carotídeo, procedimento realizado antes da cirurgia de exérese para diminuir o risco de sangramento. O procedimento é minimamente invasivo, realizado em hemodinâmica.

Fonte: AMATO, Alexandre Campos Moraes; AMATO, Salvador José de Toledo Arruda; et al. . Aneurisma de carótida interna. 2002.
Durdik S, Malinovsky P Chemodectoma - carotid body tumor surgical treatment. Bratisl Lek Listy 2002
AMATO, ACM. Tumor do Glômus Carotídeo - chemodectoma. VascularIn 2011. Ano XI n34 p16

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Linfedema

qua, 11/04/2015 - 18:27
Linfedema

Inchaço nas pernas ou nos braços? Pode ser linfedema!
A você paciente, nossos cumprimentos. Se está lendo este pequeno texto, isto significa que está interessado na sua saúde. Para se aprofundar no assunto ou avaliar a sua situação, passe em consulta com um cirurgião vascular.
O linfedema é definido como um acúmulo de líquido e proteínas, que pode ocorrer em diversas regiões do corpo, mas com particular importância nas extremidades como braços e pernas. Várias doenças estão relacionadas ao comprometimento do sistema linfático, seja pelo seu bloqueio ou pela sua lesão direta. Como destaques para as situações mais frequentes podemos citar:
Linfedema nos membros superiores: ligado ao câncer de mama, geralmente pós-cirúrgico ou pós-radioterapia
Linfedema nos membros inferiores: ligado às infecções (erisipelas) de repetição
O sistema linfático é pouco conhecido, mas desempenha um importante papel  em nosso organismo. Geralmente localiza-se paralelo ao sistema de transporte de sangue:
Sistema arterial: vasos sanguíneos responsáveis pela distribuição de sangue oxigenado e rico em nutrientes a todos órgãos e tecidos
Sistema venoso: vasos sanguíneos responsáveis pelo retorno deste sangue, agora com mais gás carbônico e sobras do metabolismo ao coração
Entre as artérias e as veias existe diferença de pressão de permite o fluxo de uma para a outra, mas desse diferencial de pressão decorre acúmulo de liquido e sobras metabólicas nos tecidos.
Como se inicia o problema?
O sistema linfático é responsável pela coleta do excesso de líquidos, proteínas e metabólitos que “sobram” em nosso corpo, pelo direcionamento destes de volta à circulação e pela defesa do organismo contra infecções. Mesmo com o sistema linfático funcionando normalmente, uma produção exagerada de líquidos e metabolitos pode levar ao seu acúmulo, nesse caso, caracterizando o edema simples ou inchaço naquela determinada região. Algumas situações comuns de inchaço sem comprometimento do sistema linfático são: insuficiência cardíaca, problema nos rins, alterações do fígado, varizes dos membros inferiores, hipotireoidismo crônico (mixedema) e o uso de medicações como corticoides, alguns anti-hipertensivos e até mesmo determinados diuréticos, que podem gerar desbalanço e ser a origem do problema.
Como posso fazer o diagnóstico?
A correta identificação da causa desse edema é importantíssima, visto que os tratamentos serão fundamentalmente diferentes. Na maioria das vezes, um minucioso exame médico é suficiente para fazer essa diferenciação. Eventualmente, exames complementares como dosagens sanguíneas (função renal, hepática, proteínas, etc), ultrassom venoso e testes cardíacos são úteis para afastar as outras causas. A linfocintilografia é o exame mais indicado para a visualização direta do sistema linfático, mas suas indicações são restritas.
Há tratamento?
Sim. Muito embora com a tecnologia e os recursos que dispomos atualmente o Linfedema não tem cura, é possível e importantíssimo fazer o tratamento adequado a fim de bloquear a evolução da doença e diminuir suas graves consequências. Tal tratamento é baseado em quatro pontos fundamentais, conhecido como terapia descongestiva complexa. Os componentes desse tratamento consistem na drenagem linfática manual, exercícios que estimulem a drenagem linfática (miolinfocinéticos), terapia de compressão (com meias/luvas elásticas ou bandagens compressivas) e os cuidados com a pele como hidratação e prevenção de infecções fúngicas ou simplesmente micoses. A associação de linfedema de membros inferiores e doença venosa (varizes ou insuficiência venosa crônica) é bastante frequente. Nestes casos o tratamento concomitante pode trazer benefícios e uso de medicações flebotômicas e/ou meias de compressão podem ajudar a minimizar os sintomas.
 
Dica: Se você apresenta inchaço nas pernas ou nos braços e pensa que pode ser linfedema, converse com seu cirurgião vascular. Ele é o especialista que conhece as melhores técnicas de investigação e pode, em conjunto com o paciente, definir a forma mais adequada de prevenir e tratar esse problema.
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